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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Fomos todos à fava!


Ultimamente temos todos ido à fava. Pelo menos no mercado biológico. Chegaram em força e eu tenho aproveitado e trazido sacadas de favas para casa. Sim, porque quando se compra com a vagem o melhor é  encher bem o saco porque dali, normalmente, rende muito pouco...

Mas eu não me importo: é sempre uma oportunidade para as miúdas perceberem de onde vêm os alimentos. Normalmente fazem questão de me ajudar a descascá-las e acham engraçado descobrir as favas dentro das vagens. Claro que depois tenho de conferi-las uma a uma, porque ficam muitas favas esquecidas mas tento aproveitar enquanto acham engraçado porque mais tarde, quando crescerem, irão com certeza achar uma grande seca e mania da mãe ...

 

As favas são leguminosas que eu aprendi a gostar e a usá-las nas nossas refeições. Não era das que eu mais gostava em criança mas agora não me importo nada em comê-las. Frescas e na sua própria época, claro. Nesta altura que ainda são as primeiras e muito tenras nem tiro a película que as envolve, só mais tarde quando já são maiores tenho esse trabalho porque é dura e áspera.




Tal como outras leguminosas são ricas em proteínas, hidratos de carbono complexos, fibras solúveis e insolúveis, aminoácidos e vitaminas do complexo B. Por ser um alimento rico em fibras melhora o funcionamento do tubo digestivo, torna a bílis mais fluida, facilita a absorção dos nutrientes ao nível do intestino delgado, estimula o desenvolvimento da flora intestinal benéfica e regulariza o trânsito intestinal. São também uma boa fonte de ácido fólico (importante para as grávidas no desenvolvimento do bebé), luteína, zinco, potássio, magnésio, manganês, fósforo e tiamina ou vitamina B1, importante para o bom funcionamento do sistema nervoso e do coração.

Desta vez decidi, então, que seriam as leguminosas utilizadas numa das nossas refeições vegetarianas. Planeava fazer um estufado de favas (um pouco à portuguesa mas sem os enchidos e a carne) com polpa de tomate, no entanto, ao abrir o frigorífico vi que ainda não tinha gasto o que restara do creme de coco que usara para fazer o chantilly e pensei fazer qualquer coisa com isso. O resultado acabou por ser este:

Estufado de favas com beringela e coco

 Ingredientes (para 4 pessoas)
1kg de favas descascadas
200 ml de creme de coco
1/2 copo de vinho branco
1 copo de água
1 beringela
1 cebola pequena
1 alho-francês
1 dente de alho
1 colher de chá de cominhos
1/2 colher de chá de curcuma
1/2 colher de chá de garam masala
1/2 colher de chá de gengibre em pó
azeite q.b
sal q.b.
salsa fresca

Como fiz:
Piquei a cebola, o alho e o alho-francês e fiz um refogado até a cebola ficar translúcida. Adicionei as especiarias (podem usar outras se preferirem) e deixei-as refogar um pouco juntamente com os legumes. Deitei o vinho branco, deixei evaporar um pouco, adicionei as favas, o creme de coco e a água. Temperei de sal, tapei e deixei as favas cozerem aproximadamente 20 a 30 minutos.
Entretanto cortei a beringela às rodelas e coloquei-as no grelhador (sempre que uso beringela faço este procedimento, ficam muito mais saborosas e intensas). Quando já estavam grelhadas (finas e com a marca do grelhador), retirei-as, cortei-as às tiras e deitei-as no estufado pouco antes de retirá-lo do fogão.


Depois de desligar deitei salsa fresca picada, misturei tudo muito bem e tapei deixando descansar um pouco até servir. Acompanhei com arroz integral cozido.
Nós, pais, gostámos do prato mas devo confessar que estas não são as leguminosas preferidas das miúdas. Mas comeram... que remédio! O paladar também se educa e eu acho fundamental que aprendam a comer de tudo (ou quase tudo). É importante perceberem que nem sempre a vida corre como nós queremos e nem sempre terão disponíveis os pratos que mais gostam.







sexta-feira, 18 de abril de 2014

Docinhos de páscoa vegan e sem glúten

 

Ontem foi o lanche de Páscoa na escola das minhas filhas. Como habitualmente tive de encontrar uma alternativa sem glúten e por isso pensei em experimentar criar uma receita baseada no que tenho aprendido sobre o crudivorissmo ou rawfood. O que mais aprecio neste tipo de receitas é a facilidade com que se faz, a simplicidade dos ingredientes e o facto da maioria ser sem glúten. Par além de tudo isso os ingredientes estão no seu estado natural e por isso nas suas melhores condições nutricionais.
Como se tratava de um lanche de Páscoa, não poderiam faltar as amêndoas e resultou nestes biscoitos de amêndoas, sem açúcar, sem glúten e sem lactose. E o melhor é que levou apenas 4 ingredientes. É claro que daqui podem fazer uma série de alterações como usar, por exemplo, cacau se quiserem uma versão achocolatada:

Ingredientes (deu para 18 unidades)
100 g de amêndoas com casca;
50 g de avelãs sem a película castanha (basta esfregá-la nas mãos ou embrulhadas numa toalha e esfregá-las sobre o balcão como se tivessem a amassar massa);
4 tâmaras medjool;
1 colher de aveia sem glúten

Como eu fiz:
Comecei por demolhar todos os frutos durante umas horas (recentemente aprendi que sempre que possível devemos demolhar o arroz integral, os frutos secos, as sementes e as leguminosas para melhorar a sua digestibilidade e absorção).


Depois escorri os frutos e coloquei as amêndoas e as avelãs na Bimby (podem usar uma picadora ou misturadora) e moí tudo muito bem (velocidade 5). Com a Bimby a trabalhar fui deitando as tâmaras uma a uma pelo bocal. Coloquei depois esta pasta numa taça e deitei a aveia sem glúten misturando com uma colher para que ficasse tudo homogéneo. Sobre papel vegetal, deitei esta mistura e formei uma barra compacta pressionando muito bem. Embrulhei-a e coloquei-a no frigorífico até ao dia seguinte.


Para levarem para o lanche da escola optei por cortar parte da barra em barritas individuais. O que restou cortei em pequenos quadrados. Se preferirem dar um formato redondo ou amendoado sugiro que façam isso antes de formar a barra porque a massa nessa altura está mais maleável para ser trabalhada. 

Se as vossas compras ou ideias para a Páscoa estão atrasadas esta é uma boa solução para oferecerem aos vossos convidados enquanto esperam pelo almoço de Páscoa, ou depois, ou simplesmente quando vos apetecer... É uma receita rápida, simples, para além de saborosa e saudável. Espero que gostem. 

Feliz Páscoa a todos!