quinta-feira, 19 de junho de 2014

A entrevista a Colin Campbell: "Se comermos alimentos de origem animal, aumentamos o risco de doenças"

Hoje trago-vos mais uma entrevista que me parece importante ler. Não saiu em nenhuma revista de alimentação saudável ou de nenhum instituto de medicina ou alimentação alternativa. A entrevista a Colin Campbell saiu no Público, para quem quiser ler e informar-se, já não há desculpas. Professor de Bioquímica Nutricional na Universidade de Cornell, onde se doutorou em nutrição, bioquímica e microbiologia. Coordenou, nos anos 80, o que ficou conhecido, infelizmente por poucos no que diz respeito ao público em geral, como o estudo da China que pretendeu fundamentalmente estudar a relação entre a alimentação, estilo de vida e doenças degenerativas modernas, realizado pelas Universidades de Cornell, Oxford, com o apoio da Academia Chinesa de Medicina Preventiva. 
E já agora: não, não eliminei totalmente da nossa dieta a carne, o peixe e os ovos (à exceção da carne de porco que eliminei recentemente, por completo, da nossa dieta). De resto, como já escrevi aqui, só compro carne de produção extensiva e/ou biológica no caso de carne de vaca, frangos biológicos e ovos de pequenos produtores que conheço. Mas reduzi-os substancialmente, alternando essas refeições por refeições vegetarianas. Quanto ao leite de vaca, estamos em processo de substituição gradual por alternativas vegetais.
E dos meus leitores, quem já tinha conhecimento deste estudo? Gostaria de saber a vossa opinião sobre esta matéria e discuti-la convosco...Deixo-vos o link da entrevista para que possam ler.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O vento no Salgueiro


Este domingo foi programado para o jardim e para a horta. O domingo todo não, que o sol não perdoa e a partir das 11 horas é impossível estar lá fora com o calor que tem feito por estes dias. Mas parte da manhã foi dedicada ao jardim. Já andava a adiar há alguns dias esta tarefa, porque a enxada é pesada e as costas curvas doem. Mas se no inverno deixamos o jardim e a horta em autogestão e a coisa até lá vai, na primavera e no verão já não é nada assim: as infestantes teimam em invadir a terra (uma batalha inglória), as plantas imploram por água e as moléstias têm de ser vigiadas e controladas: cá em casa os problemas de pele são uma constante...até nas plantas!


E se até é relativamente fácil tirar fotografias agradáveis ao olho da comida que por aqui se faz, no que diz respeito às flores já não é bem assim. Poder-se-ia pensar que tratando-se de flores a beleza original seria suficiente para fazer-nos soltar um "Uau!" quando olhamos para as fotos, mas tal não acontece: talvez a fotografia não consiga fazer jus à beleza natural das plantas, ou o equipamento usado não é o mais adequado, ou a fotógrafa de serviço, eu, não percebe muito da coisa (eu aponto mais para as duas últimas hipóteses). De qualquer forma gosto de andar por entre o meu pequeno bosque a fazer experiências com o iphone e encontrar pormenores interessantes:


Chamo o meu jardim de bosque porque quando pedi a um jardineiro para o criar disse-lhe que não queria um jardim arrumado, em que cada planta está no seu próprio lugar sem se cruzarem. Pretendia o oposto, um jardim desorganizado, em que as plantas têm de conquistar o seu espaço umas às outras. Um lugar onde se misturam as cores, formas e cheiros.
Um jardim para as crianças brincarem às escondidas, ou imaginarem que por debaixo das pedras ou por trás da artemísia escondem-se fadas, duendes e animais falantes. As minhas filhas estão convencidas que os pirilampos, que aparecem por esta altura do ano no crepúsculo, são fadas que nos visitam. O Sr. Caracol, por sua vez, gosta de fazer tropelias na horta da mamã. Eu própria gosto de viver estas fantasias com elas, porque ser adulta o tempo todo cansa e não tem graça nenhuma. O mundo dos adultos é, no fim de contas, bem mais enfadonho. Por outro lado, no mundo das crianças tudo é possível num jardim no meio do campo, lembram-se?


As alfazemas, obrigatórias no meu jardim, são particularmente difíceis de fotografar porque andam de mão dada com a brisa, por mais leve que esta seja. Contudo é nesta dança que está o seu encanto, bem como no seu lilás vivo, quando as suas flores minúsculas estão completamente abertas. 

E no final, uma boa leitura na sombra fresca do Salgueiro, saboreando cerejas e ameixas frescas da época... Dolce far niente!






sábado, 14 de junho de 2014

"A alimentação biológica - moda ou saúde?"

Já uma vez partilhei aqui um artigo muito interessante da Dr.ª Cristina Sales sobre a importância da informação na nossa alimentação. Sei que circula muita informação pela internet do que se deve ou não se deve comer. Sei que nem toda é bem fundamentada e que é difícil, às vezes, separar o trigo do joio. Sei que cansa e passamos à frente, porque as rotinas, uma vez estabelecidas, ajudam à normalização do nosso quotidiano, já por si complicado e a mudança de hábitos significa sempre mais trabalho (nomeadamente numa fase inicial), medos e incertezas.
Mas, na minha modesta opinião, mais grave do que ter excesso de informação e muitas vezes até contraditória, é não ter acesso a nenhuma, que é o acontece com a maioria das pessoas. As escolhas diárias são feitas baseadas na fácil acessibilidade do produto, desde o local de compra à monetária, em anúncios publicitários dos meios de comunicação com promessas de facilitar o trabalho e tempo de confeção das refeições, ou simplesmente porque “toda a gente o faz”, sempre se fez assim e não questionam "velhos" (muitas vezes não assim tão velhos) hábitos. Talvez pela minha formação de base ser a pedagogia, acredito sinceramente que qualquer pessoa, se quiser, pode e deve tomar as rédeas da sua educação alimentar (e consequentemente da sua saúde) e não delegar nos outros (grandes marcas de produtos alimentares, cadeias de supermercado e até mesmo entidades de controlo de qualidade alimentar, etc.) a escolha do que deve comer. A (in)formação obriga-nos a pensar e pensar é poder escolher, em vez de deixar que os outros escolham por nós.
Deixo-vos mais um artigo sobre os efeitos de uma dieta com produtos de agricultura biológica, que me pareceu bem fundamentada. Mais um artigo para vos fazer pensar. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Crumble de frutos vermelhos e pepitas de chocolate

Sim, eu sei: tenho andado ausente. Estou na reta final do meu mestrado e tudo junto (exames, trabalhos, filhas e casa) não é fácil. No entanto, apesar de algum cansaço, penso que vou poder retomar as atividades que ficaram em banho-maria, nomeadamente o blog. 
Não foi fácil escolher a receita que vos trago hoje: esta coisa de tirar fotos à comida que confecionamos e procurar a melhor imagem, torna-se viciante. Tenho muitas em lista de espera para desfilar pelo blog e quando fico indecisa da receita que devo publicar escolho precisamente pelas fotografias, pela melhor imagem que consegui captar no momento. Já diz o ditado e muito bem, "os olhos também comem". E hoje  a vencedora foi um crumble de frutos vermelhos e pepitas de chocolate, feito já há algum tempo, por alturas do aniversário do meu marido (a pescada com coco e batata-doce terá de esperar mais uns dias). Não há nada mais cativante do que o vermelho vivo dos morangos...
...e das cerejas.
Ainda não tinha tido o prazer de vos trazer uma receita que incluísse cerejas. Sim, também é verdade que raramente consigo guardá-las para um qualquer fim culinário, por muito bom que o resultado seja. Porque cerejas, são cerejas...é difícil tê-las ali ao lado, vermelhas, suculentas, carnudas, enfim, sedutoras e não comê-las (quase) de uma só vez.

Mas desta vez consegui guardar algumas para um crumble sem glúten e biológico, claro!



Crumble de frutos vermelhos e pepitas de chocolate
 
Ingredientes
1 chávena de farinha biológica sem glúten (desta vez usei de millet);
1 chávena de flocos de aveia biológica, sem glúten;
1/2 chávena de açúcar de coco biológico (ou açúcar integral biológico ou stevia) + 3 colheres de sopa de açúcar de coco;
3/4 de chávena de óleo de girassol ou óleo de coco, biológicos e prensados a frio;
pepitas de chocolate biológicas;

Como fiz
Numa taça funda misturei a farinha com os flocos de aveia e o açúcar de coco. Depois adicionei o óleo de girassol (para a próxima vou experimentar com óleo de coco, como tem uma textura diferente têm de usar uma faca para ir desfazendo até que se misture com os restantes ingredientes). A mistura nesta altura deverá ter uma textura areada. 
Numa assadeira coloquei  os morangos cortados às metades e as cerejas sem caroço. Adicionei as 3 colheres de açúcar de coco (vão provando para ficar ao vosso gosto, porque depende muito da doçura dos frutos) e as pepitas de chocolate. Misturei tudo muito bem.

Deitei, depois, a mistura de cereais por cima dos frutos e espalhei bem de forma a tapá-los bem. Levei ao forno pré-aquecido a 180ºC, por 20 minutos.

Podem servir este crumble, de preferência ainda morno, com gelado, ou até mesmo com iogurte natural. É uma sobremesa ideal para colocar na mesa depois de um almoço de verão, de preferência no jardim...