A
conversão de receitas com farinha de trigo, ou outras com glúten, para uma
versão sem glúten não é muitas vezes (a maior parte das vezes) fácil. Já aqui
falei sobre isso várias vezes e embora já tenha alguma "mão" nas farinhas
sem glúten ainda me deparo com verdadeiras batalhas quando tento converter pela
primeira vez uma receita. Esta foi, sem dúvida, uma delas. E quando se tem a
" de "mania" de substituir as farinhas brancas sem glúten que
existem no mercado (bem mais fáceis de trabalhar) para as farinhas integrais,
bem como outros ingredientes para opções mais saudáveis, o desafio é ainda
maior.
Hesitei
muito em publicar este post: para conseguir um resultado minimamente apresentável
tive que andar às voltas com a massa, deu muito trabalho e o resultado final não é mau de sabor (não ficou nenhum para contar história, as miúdas adoraram o que compensou o sentimento de frustração com que fiquei) mas também não achei
nenhuma especialidade (não sei se acharia o mesmo da versão com glúten, pelo
que tenho lido são deliciosos). Para agravar a situação as fotografias não
ficaram como pretendia. Enfim... podia estar num dia mau. Às vezes acontece... desculpem o desabafo!
Ainda
assim, depois de muito pensar se deveria ou não publicar o post, decidi avançar
com a publicação. Se este blog tem como objetivo partilhar a minha busca por um
estilo de vida saudável, nomeadamente a nível alimentar, com a condicionante de
não poder utilizar produtos com glúten devido às circunstâncias familiares, não
posso cair na tentação de publicar apenas o que corre bem, o que ficou bonito e
o que foi fácil, mas também as experiências que foram difíceis e que até
correram menos bem. Não quero que as pessoas que seguem o blog fiquem com a
ideia que afinal isto até é fácil, provocando-lhes um sentimento de frustração e
insucesso quando as coisas não lhe correm bem. Acreditem, comigo acontece
muitas vezes...
Esta
receita diz respeito a um desafio de um grupo que aderi recentemente Dorie às sextas, inspirado nas receitas da autora do blog Tuesdays with Dorie. Aderi a este grupo precisamente para
desafiar-me a mim própria em converter receitas normais, não escolhidas por mim,
para uma versão sem glúten. Logo que vi o primeiro desafio percebi que não ia
ser fácil e até pensei em não participar (receitas à base de massa quebrada são
sempre uma verdadeira batalha) mas depois entendi que se escolhesse apenas as
receitas que já estou mais familiarizada (bolos, pães, tartes, etc.) então não
estaria a desafiar-me e seria mais do mesmo. Meti a mão na
massa: repetidamente! Andei para trás e para a frente com os passos da
receita até encontrar uma solução (como direi) manuseável...
Os
rugelach são um género de croissants de origem judaica muito particulares,
que levam na sua massa queijo fresco. Procurei também substituir alguns
ingredientes por opções mais saudáveis como a manteiga por óleo de girassol
(biológico e prensado a frio) e usei açúcar de coco biológico. Aqui fica a
minha versão de Rugelach sem glúten, se quiserem ver a receita original,
encontram-na aqui:
Ingredientes
Para a
massa
115
gramas de queijo quark biológico;
50 ml de
óleo de girassol biológico e prensado a frio;
1 ovo
biológico (tive de acrescentar para ser o agente ligante da massa, a receita
original não leva ovo);
160g
(aprox. 1 chávena) de farinha de milho biológica;
1/4
colher de chá de sal;
Para o
recheio
2/3 de chávena de compota de alperce biológica;
2 colheres de sopa de açúcar de coco biológico;
1/2 colher de chá de canela em pó;
1/4 chávena de nozes biológicas em pedaços;
1/4 chávena de passas biológicas;
2/3 de chávena de compota de alperce biológica;
2 colheres de sopa de açúcar de coco biológico;
1/2 colher de chá de canela em pó;
1/4 chávena de nozes biológicas em pedaços;
1/4 chávena de passas biológicas;
2/3 de
chávena de pepitas de chocolate biológicas (podem partir uma tablete de
chocolate de culinária em pedaços muito pequenos);
Para a cobertura
1 ovo biológico grande;
1 colher de chá de água fria;
2 colheres de sopa de açúcar de coco biológico;
Como fiz a massa
Para a cobertura
1 ovo biológico grande;
1 colher de chá de água fria;
2 colheres de sopa de açúcar de coco biológico;
Como fiz a massa
Deixei o queijo quark a descansar no balcão durante dez
minutos para amolecer ligeiramente (mas é importante que continue frio).
Na Bimby (podem usar um processador de alimentos normal) coloquei a farinha, o
sal, o queijo e o óleo de girassol e carreguei no botão turbo umas 10 vezes,
tendo o cuidado de raspar as paredes com a espátula para misturar bem todos os
ingredientes, até a massa ficar misturada sem formar uma bola. Deitei a massa
numa tigela e formei uma bola com as mãos (é importante serem rápidos, porque quanto mais a
massa aquecer, mais difícil será de manuseá-la porque tem tendência a
agarrar-se às mãos). Imagino que a utilização da manteiga facilite muito mais
todo este processo porque dará mais consistência à massa. Ainda assim, preferi
optar por uma fonte de gordura mais saudável. Cortei a bola à metade e formei
duas bolas. Embrulhei em película aderente e refrigerei durante 3 horas.
Como fiz
o recheio
Aqueci a compota num tacho em lume brando até ficar
líquida. Misturei o açúcar e a canela numa tigela. Forrei o tabuleiro do forno
com papel vegetal.
Como fiz
para formar os bolos (a verdadeira batalha)!
Tirei uma das bolas de massa do frio: percebi logo que
não tinha uma tarefa fácil pela frente, já que a massa continuava muito mole.
Sobre papel vegetal polvilhado com farinha de milho estiquei a massa com o rolo
da massa até formar um círculo (ficou muito longe de um círculo perfeito porque
a massa tende a partir-se nas extremidades) entre 28-30 centímetros. O objetivo
é estender a massa o mais fina possível, mas eu não pude esticá-la muito porque
a dado momento colava-se ao papel e não conseguia enrolá-la posteriormente. Pincelei
a massa com uma camada fina de doce, polvilhando o círculo com metade da mistura
de açúcar e canela. Cobri com metade das nozes, metade das passas e metade do
chocolate. Cobri a superfície com papel vegetal e pressionei suavemente o
recheio sobre a massa. Retirei o papel e guardei-o para a segunda leva de
bolos. Com um cortador de pizza, cortei a massa em triângulos compridos e com a
base estreita ( a maneira mais fácil é cortar a massa em quartos e cada quarto
em triângulos). Os triângulos, não
ficaram perfeitos, porque as extremidades do "círculo" não ficaram
lisas, porque tendiam a partir-se como já expliquei. Começando na base de cada
triângulo, enrolei a massa de modo a que cada bolo pareça um pequeno crescente
(como um croissant). Aqui foi outro desafio, porque como vos disse a massa
ficou mole, embora maleável e teve tendência a agarrar-se ao papel, tive mesmo
que polvilhar com muita farinha e enrolar com muito cuidado para a massa não se
partir. Coloquei os rolos num tabuleiro, garantindo que as pontas ficassem
debaixo do rolo, e refrigerei pelo menos durante 30 minutos antes de levar ao
forno. Repeti o processo para o segundo disco de massa. Os bolos podem ser
refrigerados durante a noite ou congelados até dois meses, não devendo
descongelar-se antes de levar ao forno mas sim dar mais alguns minutos de
cozedura.
Como fiz a cobertura
Misturei o ovo com a água e pincelei
cada bolo com a mistura. Polvilhei com açúcar de coco.
Coloquei os bolos no forno pré-aquecido a 175ºC entre 20 e 25 minutos ou até estarem bem dourados. Transferi para a grelha do forno e deixei arrefecer até estarem mornos.
Coloquei os bolos no forno pré-aquecido a 175ºC entre 20 e 25 minutos ou até estarem bem dourados. Transferi para a grelha do forno e deixei arrefecer até estarem mornos.
O resultado final foram uns bolinhos
agradáveis em que se sente a mistura do ácido do alperce com o doce das passas
e o açúcar de coco. Como referi as miúdas adoraram e nós também gostámos,
mas fazê-los novamente? Não sei se farei...
Ah, já agora: vejam os resultados das receitas originais (se comem receitas com glúten) o aspeto é bem melhor...