Ultimamente temos todos ido à fava. Pelo menos no mercado
biológico. Chegaram em força e eu tenho aproveitado e trazido sacadas de favas
para casa. Sim, porque quando se compra com a vagem o melhor é encher bem o saco
porque dali, normalmente, rende muito pouco...
Mas eu não me importo: é sempre uma oportunidade para as
miúdas perceberem de onde vêm os alimentos. Normalmente fazem questão de me
ajudar a descascá-las e acham engraçado descobrir as favas dentro das vagens.
Claro que depois tenho de conferi-las uma a uma, porque ficam muitas favas
esquecidas mas tento aproveitar enquanto acham engraçado porque mais tarde,
quando crescerem, irão com certeza achar uma grande seca e mania da mãe ...
As favas são leguminosas que eu
aprendi a gostar e a usá-las nas nossas refeições. Não era das que
eu mais gostava em criança mas agora não me importo nada em comê-las. Frescas e
na sua própria época, claro. Nesta altura que ainda são as primeiras e muito
tenras nem tiro a película que as envolve, só mais tarde quando já são maiores tenho
esse trabalho porque é dura e áspera.
Tal como outras leguminosas são ricas em
proteínas, hidratos de carbono complexos, fibras solúveis e insolúveis,
aminoácidos e vitaminas do complexo B. Por ser um alimento rico em fibras
melhora o funcionamento do tubo digestivo, torna a bílis mais fluida, facilita
a absorção dos nutrientes ao nível do intestino delgado, estimula o
desenvolvimento da flora intestinal benéfica e regulariza o trânsito
intestinal. São também uma boa fonte de ácido fólico (importante para as
grávidas no desenvolvimento do bebé), luteína, zinco, potássio, magnésio,
manganês, fósforo e tiamina ou vitamina B1, importante para o bom funcionamento
do sistema nervoso e do coração.
Desta vez decidi, então, que seriam as
leguminosas utilizadas numa das nossas refeições vegetarianas. Planeava fazer
um estufado de favas (um pouco à portuguesa mas sem os enchidos e a carne) com
polpa de tomate, no entanto, ao abrir o frigorífico vi que ainda não tinha
gasto o que restara do creme de coco que usara para fazer o chantilly e
pensei fazer qualquer coisa com isso. O resultado acabou por ser este:
Estufado
de favas com beringela e coco
Ingredientes (para 4 pessoas)
1kg de favas descascadas
200 ml de creme de coco
1/2 copo de vinho branco
1 copo de água
1 beringela
1 cebola pequena
1 alho-francês
1 dente de alho
1 colher de chá de cominhos
1/2 colher de chá de curcuma
1/2 colher de chá de garam masala
1/2 colher de chá de gengibre em pó
azeite q.b
sal q.b.
salsa fresca
Como fiz:
Piquei a cebola, o alho e o alho-francês e fiz um
refogado até a cebola ficar translúcida. Adicionei as especiarias (podem usar
outras se preferirem) e deixei-as refogar um pouco juntamente com os legumes.
Deitei o vinho branco, deixei evaporar um pouco, adicionei as favas, o creme de
coco e a água. Temperei de sal, tapei e deixei as favas cozerem aproximadamente
20 a 30 minutos.
Entretanto cortei a beringela às rodelas e
coloquei-as no grelhador (sempre que uso beringela faço este procedimento,
ficam muito mais saborosas e intensas). Quando já estavam grelhadas (finas e com a marca do grelhador), retirei-as, cortei-as às tiras e deitei-as
no estufado pouco antes de retirá-lo do fogão.
Depois de desligar deitei salsa fresca picada, misturei tudo muito bem e tapei deixando descansar um pouco até servir. Acompanhei com arroz integral cozido.
Nós, pais, gostámos do prato mas devo confessar que
estas não são as leguminosas preferidas das miúdas. Mas comeram... que remédio!
O paladar também se educa e eu acho fundamental que aprendam a comer de tudo
(ou quase tudo). É importante perceberem que nem sempre a vida corre como nós
queremos e nem sempre terão disponíveis os pratos que mais gostam.