terça-feira, 18 de março de 2014

Passeio a Gondramaz


Gondramaz é uma das 27 aldeias do xisto que existem em 16 municípios do Pinhal Interior, na região centro. Já lá tínhamos ido o ano passado: ficámos fascinados não só com a paisagem serrana em que se insere mas também pelas casas de pedra pitorescas e ruelas que serpenteiam até às riquezas locais.
Este fim-de-semana, aproveitando o sol e o bom tempo, voltámos lá. É relativamente próximo da nossa casa e por isso quando queremos sair da rotina, espairecer e entrar noutros mundos visitamos, muitas vezes, as aldeias de xisto que resistem nos arredores.  A sensação é que entramos noutra época, noutro mundo, onde o tempo fez o favor de parar. O silêncio impera por estes lados e permite-nos ouvir o som bucólico das eólicas que giram ao sabor do vento no cimo da serra, lembrando-nos que o progresso afinal existe.
Aqui ficam algumas fotos do passeio:

 
  

"Mamã, mas porquê é que as casas são de pedra?"



A pensar nos seus visitantes, Gondramaz está muito bem sinalizada:


 Ao Sr. Manuel escultor não resistimos em comprar uma linda escultura da sua autoria: Eva sentada numa pedra.


O forno a lenha já estava a ser preparado para a chanfana:

 


Um dos poucos residentes com quem nos cruzámos: homem sério, de poucas palavras...As miúdas, contudo, adoraram-no!


Passear para mim é fundamental: coloca-nos logo um sorriso nos lábios, tira-nos do stress do dia-a-dia e do boliço das cidades. Conhecer outros locais, gentes e modos de vida é fundamental para muitas vezes questionarmos os nossos próprios hábitos e reequacionar se de facto não há outra maneira, mais saudável, mais sustentável, enfim, mais equilibrada para levarmos a nossa própria vida. E eu acredito cada vez mais que sim.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Arroz de ameijoas, funcho e especiarias



Eu sou uma pessoa que gosta de marisco. Qualquer tipo de marisco (pelo menos aqueles que eu conheço). E gosto muito de marisco não só pelo sabor (que, por norma, é arrebatador) mas também porque transporta-me para momentos fabulosos: dias quentes de verão, som da rebentação das ondas e se tivermos mesmo sorte um pôr-do-sol flamejante na linha do horizonte. Ou simplesmente sentar-me à beira mar para comer umas lapas grelhadas...
Este sábado fomos à peixaria do mercado municipal e é habitual trazermos um saco de berbigão para fazer um arroz para o almoço. No entanto, desta vez não houve berbigão mas tinha a boa da ameijoa, trazida diretamente da ria de Aveiro. 
Quando cozinharem ameijoas não se esqueçam de as lavar bem em água fria e deixá-las em água e sal aproximadamente por 45 minutos para soltar a areia. 

No mercado biológico comprei um belo pé de funcho que para além de ter dado o nome à minha cidade, ao manuseá-lo apetece-me sempre trincar sem qualquer pudor. O cheiro é-me tão familiar que me transporta logo para um sabor de infância: os famosos rebuçados de funcho madeirenses. 
Esta planta mediterrânica é composta por bolbo, caule, folhas e sementes, tudo comestível. O seu caule  para além de ser muito saboroso e aromático, a lembrar licor de anis, é também muito saudável: rico em vitamina C (20% da sua composição) possui propriedades anti-inflamatórias, antiespasmódico, diurético, antibiótico e expectorante. Lembro-me que em pequena quando tinha a garganta inflamada a minha mãe recomendava um rebuçado de funcho e eu... não me importava nadinha! Hoje a minha filha mais velha diz-me: “mamã tenho a garganta a doer, posso comer um rebuçadinho?”


 Como tinha estes dois ingredientes, lembrei-me que poderia ser uma boa combinação. O funcho é ótimo para temperar peixe e por isso achei que também combinaria com as ameijoas. Não me enganei: deu um sabor muito fresco ao arroz. Utilizei o bolbo picado no momento do refogado e as folhas enquanto erva aromática no final da cozedura. Combinado com as especiarias garam masala, curcuma e gengibre que fiz questão de torrar no momento do refogado, resultou mesmo muito bem. 
O arroz que utilizei, como é habitual nos meus cozinhados, foi arroz integral e biológico. Como tenho duas crianças pequenas preferi, pacientemente, tirar as conchas após a cozedura das ameijoas e antes de deitá-las no arroz.

 


Adoro fazer combinações de ingredientes e temperos inesperados e descobrir que resultam bem. Experimentem!

domingo, 16 de março de 2014

Panquecas, sol e coco



Hoje estreamos os pequenos-almoços ao ar livre. Já tínhamos comido algumas vezes no pátio este ano, mas de forma tímida, a medo, sem grandes preparações ou rituais, não fosse o tempo pregar-nos uma partida e termos de fugir com a caneca ou prato na mão. Hoje não. Tivemos direito a tudo: toalha colorida, chapéu-de-sol para a sombra, louça completa sobre a mesa. E claro, panquecas! Ou não seria domingo...


No seguimento da receita anterior e deste outro post sobre panquecas, as de hoje foram especiais: preparei-as única e exclusivamente com farinhas sem glúten, biológicas, com um sabor a coco formidável. É para repetir.
Quem segue o blog já deve ter percebido que não sou pessoa de seguir receitas à risca e faço muita coisa "a olho", sem medidas, principalmente quando já conheço bem as receitas ou os ingredientes utilizados. Faço-o porque simplifica e ganho tempo, algo que para quem tem crianças pequenas é muito importante. As panquecas não são exceção mas para ajudar-vos vou tentar lembrar-me das medidas que usei das primeiras vezes que as fiz.

Se tiverem alguma dúvida, não hesitem em perguntar, ok? Farei sempre questão de responder-vos e ajudar:

Ingredientes (como já referi utilizei todos biológicos) :
1 copo de farinha de milho (eu usei farinha de milho branco e amarelo e parte de farinha de milho amarelo integral, mas podem apenas usar uma);
1/3 copo de amido de milho;
1 colher de chá de fermento;
1 pitada de canela;
1 pitada de sal;
1 raspa de laranja;
Raspa de creme de coco (no frigorífico fica duro e por isso tem de ser raspado): não medi mas sejam generosos, não tenham medo! 
1 ovo;
1 iogurte natural: podem usar iogurte kefir (aprox. 100g), deixa as panquecas incrivelmente fofas e é muito saudável;
1 copo de leite (pode ser leite vegetal, eu hoje usei leite de arroz);
4 colheres de óleo de girassol biológico prensado a frio.

Como fiz:
Numa batedeira coloquei as farinhas com o amido de milho, o fermento, a canela e o sal e misturei numa velocidade baixa. Acrescentei a raspa do creme de coco, da laranja e o ovo e envolvi tudo numa velocidade baixa e depois média. Sem desligar a batedeira adicionei o iogurte (se preferirem podem não incluir este ingrediente, eu pessoalmente acho que deixa as panquecas muito mais ricas), o leite e o óleo de girassol. Quando estiver tudo muito bem envolvido, podem aumentar a velocidade para ficarem bem cremosas e sem grumos. É importante nesta fase verem se a massa tem a espessura desejada: se quiserem mais líquida devem adicionar leite, se quiserem mais espessa adicionam mais farinha aos poucos (se aumentarem muito a farinha, coloquem também mais amido de milho na proporção que coloco na lista dos ingredientes).
Depois é colocar conchas de massa numa placa ou frigideira anti-aderente em lume médio. Ao vertermos a massa da concha ela deverá escorrer como um creme (sem estar muito líquida). Quando aparecerem bolhas à superfície podemos virá-las para cozer do outro lado. 
 



Como já devem ter reparado, habitualmente comemos as panquecas com mel mas desta vez acrescentamos também raspa de creme de coco e ficou verdadeiramente delicioso. 

Podem também acompanhá-las com compotas ou fruta fresca: agora é ao gosto de cada um. Espero que gostem!


sábado, 15 de março de 2014

Outro jantar vegetariano: tarte de alho francês caramelizado com vinagre balsâmico


E cá estou eu às 7:32 da manhã para mais um post. Pois é, depois da minha filha mais nova ter acordado antes das 6:00 (algo que é muito frequente), não consegui voltar a dormir e pelo menos aproveitei esta hora para fazer ioga e meditação: cada vez mais consigo fazer posturas sozinhas e por mais tempo. As aulas estão a ter o seu efeito e não há nada como começar o dia com este tipo de atividade. Mas adiante...
Ontem tinha planeado fazer uma pizza para o jantar, no entanto, ao consultar o blog Chili com todos deparei-me com esta receita e achei que seria uma excelente opção para um jantar vegetariano. Mas claro, como sempre, colocava-se o desafio de a "converter" em versão sem glúten e pela primeira vez consegui fazer uma receita deste género, totalmente biológica. Ou seja, recorri apenas a farinhas biológicas sem mix's e afins. Então foi assim:  
Massa quebrada sem glúten: Não me meti a fazer massa folhada sem glúten (nem a normal saberia fazer) como refere a receita original, então, optei por uma massa quebrada feita à base de farinha de milho. Misturei farinha de milho branco e amarelo e amido de milho biológico. Fiz a olho, como é habitual nos meus cozinhados (sou preguiçosa em ir buscar a balança, tento sempre libertar-me desse utensílio e raramente sigo uma receita à risca, é claro que às vezes corre mal) mas penso que se seguirem as seguintes medidas chegam lá:
  • 240gr de farinha de milho (branco e/ou amarelo, coloquem também algum amido de milho);
  • 3 ovos;
  • 3 colheres de azeite ou óleo de girassol biológico e prensado a frio;
  • 3 colheres de água (pode não ser necessário);
  • 1 pitada de sal.
Como fiz:
Misturei tudo num recipiente à exceção da água e mexi tudo muito bem com um garfo até ficar uma massa areada. 
Depois, pressionei com as mãos a massa até ficar numa bola. O objetivo é que a massa não se cole às mãos. Têm de observar bem a massa: se ela não ficar unida e partir-se com facilidade deverão juntar água aos poucos até o conseguirem. Mas não podem deitar demasiada água porque é necessário que a massa não se cole às mãos.
De seguida coloquei película aderente na banca da cozinha. Gosto sempre de estender a massa em película aderente porque para além de facilitar a colocação da massa estendida na forma, acho que é mais higiénico (nunca sabemos se conseguimos limpar bem a banca ou se até terão ficado resíduos do produto de limpeza, enfim, minhoquices minhas). Coloquei a bola de massa sobre a película e com o rolo da massa estendi até ter um diâmetro que cobrisse a forma de tarte. 
Depois de colocar a massa entendida na forma e tirar a película procedi como habitualmente na confeção de uma tarte: pressionar a massa contra as margens e furar o fundo com um garfo. O resultado foi este:

Para o recheio:

  • 4 ovos
  • 2 alho francês
  • 1 pacote de creme de arroz
  • 1 molho de cebolinho fresco
  • 1 molho de tomilho fresco
  • vinagre balsâmico q.b.
  • azeite q.b.
  • sal q.b.
  • pimenta q.b.
  • garam masala

Pré-aquecer o forno a 180 – 200ºC.
Numa frigideira coloquei azeite, uns raminhos de tomilho, o alho francês cortado longitudinalmente, uma pitada de garam masala e fritei em lume brando. Mexi de vez em quando com algum cuidado até caramelizar. Deite-lhe, depois, um pouco de vinagre balsâmico e deixei evaporar ligeiramente.
 Não resisti, também, em deitar uma pitada de garam masala que comprei da última vez que fui ao mercado biológico. Ando “viciada” nesta especiaria: no fundo é uma mistura de várias especiarias que segundo a dieta ayurvédica tem propriedades termogénicas, ou seja, aquece o corpo e acelera o metabolismo, fazendo com que o organismo gaste mais energia e perca mais calorias. Acredita-se também que o seu consumo cria sensação de bem-estar e felicidade, o que nunca é demais.
Quanto ao recheio da tarte fiz também algumas alterações da receita original: em vez de natas e porque não encontro natas biológicas, usei um pacote de creme de arroz biológico para fazer o recheio, assim a tarte para além de ser sem glúten também ficou sem lactose. Bati ligeiramente os ovos e adicionei o creme de arroz, o cebolinho bem picado e uma pitada de sal marinho. Mexi tudo muito bem até obter um creme. Fiquei deliciada com o aveludado e a cor do creme (os ovos biológicos fazem mesmo toda a diferença).


Coloquei o recheio na tarteira forrada e depois coloquei o alho francês por cima. Reduzi um pouco de vinagre balsâmico na frigideira com o azeite residual e deitei este molho por cima do alho francês. Depois levei ao forno por 15 a 20 minutos. O resultado foi este:






E quem disse que as crianças não gostam de comer legumes? Não ficou nada para contar história: para além de saudável, é mesmo deliciosa e vale a pena experimentar. Da próxima vez talvez tente com acelgas...