quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

1 galinha biológica = x refeições


Antes de mais gostaria de vos pedir desculpa por já há algum tempo não escrever nenhum post mas ando com um novo projeto em mãos e tem sido difícil conciliar com o blog.
No seguimento do que escrevi aqui e aqui, gostaria de vos mostrar como faço os meus caldos. Este é proveniente de uma galinha biológica que comprei mas faço também de peixe, carne vermelha, etc. Como a galinha era já velha teve de ser bem cozinhada. Decidi, então, fazer primeiro uma canja com a mesma (com legumes, aromatizada com um pau de canela e gengibre) e antes de adicionar a massa (sem glúten), retirei algum caldo resultante para pequenos recipientes. Após o arrefecimento coloquei-os no congelador e fiquei com caldos de galinha caseiros, prontos a serem usados noutros cozinhados.
Utilizo estes caldos em vários pratos como risottos, sopas (embora raramente acrescente uma fonte de proteína animal na sopa), molhos para massa, etc.



Escusado será dizer que esta galinha estava cheia de sabor: não precisei de adicionar qualquer fonte de gordura adicional na canja ou mesmo depois no assado de galinha que fiz após a cozedura da mesma na canja. Depois com os restos do assado fiz um arroz de galinha com a carne que ainda restou.
Com uma galinha de qualidade faço várias refeições: naquelas em que utilizo simplesmente o caldo (nem os descongelo, deito apenas o caldo congelado na panela), não acrescento outra fonte de origem animal. Esta é uma estratégia que recorro para diminuir a compra de carne ao longo do mês. Assim, quando compro, compro de qualidade.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A confiança nas abelhas



Este inverno as constipações cá por casa foram ferozes. Como em qualquer casa com crianças pequenas as viroses começaram nelas mas, felizmente, rapidamente foram resolvidas. Porém, com os pais já não aconteceu o mesmo: ficaram semanas para resolverem o mesmo, a sentirem-se velhos e a perceberem que já não têm 20 anos!
E eu detesto tomar medicamentos e detesto ainda mais que as minhas filhas, em tão tenra idade, os tomem, nomeadamente antibióticos. Em comunhão com todas as minhas convicções relativamente à alimentação, saudável o quanto possível e isenta de químicos, também evito a medicação convencional e aposto na prevenção. É claro que, quando é preciso, é preciso e não há muito a fazer nessas situações mas parece-me que até não me tenho saído nada mal atendendo ao facto de que a minha filha mais nova já vai a caminho dos três e nunca tomou um antibiótico na vida (e está numa creche desde os quatro meses e meio). O mais complicado que já teve (bate na madeira!) foram as comuns viroses que se resolveram em três, quatro dias. A mais velha, à exceção da alergia ao glúten e da propensão para fazer otites desde um ano de idade e que infelizmente tem-lhe custado algumas tomas de antibiótico (este ano fez apenas uma otite o que para ela é ótimo), também não tem tido grandes problemas de saúde (bate na madeira outra vez!). Ambas partilham, porém, o problema de terem pele atópica que se agrava no inverno, herança de problemas de bronquite asmática e eczema atópico na família.
E uma das medidas de prevenção dos males de inverno que temos já há alguns anos é a toma, nesta altura do ano, de produtos produzidos pelas abelhas para além do mel: o pólen para elas e o própolis para nós (como tem algum teor de álcool só o pai e a mãe é que tomam).
O pólen, para quem não sabe, é um dos produtos apículas produzidos pelas abelhas e é um excelente suplemento alimentar porque é rico em vitaminas A, D, E, C e B, proteínas, sais minerais e oligoalimentos. Todos os dias de manhã as minhas filhas comem, em jejum, uma colher de chá de pólen, algo que não é sacrifício nenhum para elas que correm para tomá-lo como se fossem receber um rebuçado (eu pessoalmente acho enjoativo e não consigo mesmo comer). A mais nova grita: "Pólente! Pólente!" -  por mais que lhe tentemos ensinar a dizer corretamente (Pó-len!, Pó-leeennn!)
Nós, pais, tomamos 15 gotas de própolis de manhã num bocado de pão que engolimos o mais rapidamente que nos é possível porque é mesmo muito amargo. O que é certo é que as gripes e constipações que eu tive este inverno tratei-as apenas com própolis, chá de limão com gengibre e mel de abelhas e Rhinomer (água do mar esterilizada) para a descongestão nasal. A própolis é como se fosse o cimento da colmeia e possui propriedades antibacterianas, anestésicas e cicatrizantes. O que é certo é, coincidência ou não, que de todas as vezes que deixei de tomar a própolis este inverno voltei a ficar com o nariz congestionado, dores de garganta, etc., até à retoma do dito produto...
Eu não sou médica, nem investigadora e por isso não posso fazer uma relação direta da minha própria saúde e da minha família com o consumo de produtos das abelhas mas, pelo menos, mal não tem feito. E é importante lembrar, como em qualquer produto alimentar, poderá haver intolerâncias e reações adversas, depende de cada um.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Mandem-me às urtigas, por favor!



Lembro-me de ver, em pequena, a minha mãe a travar uma batalha (inglória) contra as urtigas que teimavam em conquistar território na horta da minha mãe. Lembro-me, também, aquando a visita de um primo que estudava para ser chefe de cozinha na Suíça e ao ver a minha mãe a deitar sacos de urtigas fora, este ter-lhe dito: "Oh tia! Não faça isso: na Suíça as urtigas são consideradas um verdadeiro petisco! São usadas nas saladas e nas sopas...". Nós, na altura, achámos estranho e não nos deixámos convencer.
O que é certo é que nas minhas idas ao mercado biológico, comecei a ver alguns vendedores a vender urtigas e a aconselhar o seu consumo tais são os seus benefícios para a saúde. Aconselham utilizá-las em sopas, omeletes ou até mesmo em saladas e em sumos. Então, este fim-de-semana decidi experimentar: quando lá cheguei, infelizmente as urtigas ainda não estavam arranjadas (aproveitam só as folhas, embora já tenha lido que se pode usar tudo, até as raízes) e apesar de as ter colocado de molho na água para perderem a sua agressividade, como me foi aconselhado, ainda assim uma ou outra acabou por mostrar a sua natureza. Ao final de algum tempo e com as mãos a ficar numa lástima, acabei por arranjá-las com uma pinça de cozinha e uma tesoura. Optei por fazer um creme porque como nunca tinha experimentado tive receio da textura das urtigas não ser muito agradável:




O resultado foi um creme realmente muito agradável: o meu marido diz que parece sopa de espargos, eu acho que é parecido com sopa de nabiças, mas com um sabor mais suave. Todos gostámos muitos, inclusivamente as miúdas. Para além do seu sabor,  adorei a cor verde vibrante, que é possível ver nas fotos, originária da clorofila que abunda nesta planta.
Para quem quiser saber mais sobre as propriedades fantásticas da urtiga pode consultar aqui. Encontrarão imensas razões para experimentarem uma planta que deixa de ser uma infestante incómoda para passar a ser uma dádiva da terra.




sábado, 15 de fevereiro de 2014

Papas de aveia para uns, "vacas veia" para outros!



Se ao domingo costumam ser panquecas ao pequeno-almoço como referi aqui, ao sábado são papas de aveia, ou "vacas veia!" como diz a minha filha mais nova, de olhos arregalados e sorriso de orelha a orelha. Fiquei apaixonada por este tipo de papas na minha lua-de-mel, em que no hotel no qual ficámos tinham sempre papas de aveia ao pequeno-almoço. Quando regressei tentei fazer mas como não tinha o hábito de consultar receitas na internet a experiência correu muito mal: papas insonsas, sem qualquer sabor, muito diferentes das papas que havia comido no hotel.
Quando comecei a utilizar a internet para encontrar receitas e procurar novos produtos, encontrei várias receitas de aveia e decidi experimentar. Mais feliz fiquei quando descobri uma marca de aveia sem glúten e ainda por cima biológica e é essa que costumo utilizar na confeção das minhas papas. Com o tempo fui-me tornando mais segura e audaz: adocico apenas com mel, adiciono fruta fresca (maçã e banana), frutos secos (bagas gogi, nozes, amêndoas, etc.) e aromatizo com uma pitada de canela.
A minha filha mais nova adora, pede sempre mais e tenho mesmo que recusar, não vá ela sentir-se mal disposta depois. A mais velha ao início torcia um pouco o nariz porque comeu poucas papas em bebé (por causa da alergia ao glúten e na altura também ao arroz) e parecia-lhe um pouco estranho esta nova refeição mas com o tempo habituou-se. Atualmente fica contente quando chega a sábado de manhã e sabe que vai comê-las ao pequeno-almoço: o paladar, de facto, educa-se! O meu marido também gosta muito e por isso é uma opção para um pequeno-almoço saudável e diferente da restante semana.  Na minha opinião, parece-me uma boa alternativa para crianças mais crescidas (a partir de um ano de idade) em que o lanche ou o pequeno-almoço é uma papa. Ao menos neste caso têm mais garantias da proveniência dos cereais que estão a dar.