Recentemente senti necessidade em voltar a
praticar uma atividade física regular: tenho um problema de coluna relativamente
acentuado e desde que tive as minhas filhas que as atividades que praticava
ficaram para trás. Quem tem filho(a)s pequeno(a)s sabe o quão difícil é
conciliar uma atividade física regular com todas as tarefas diárias. No
entanto, ultimamente começava a ter sinais de que precisava de fazer alguma
coisa a nível osteomuscular porque as dores estavam a aumentar, mais do que em
mim já é habitual. Claro que toda a gente aconselha-me a natação e eu sei que
de facto é o exercício físico por excelência para quem tem problemas de coluna.
Mas e apesar de adorar nadar, detesto todo o ambiente de uma piscina
artificial: o cheiro a cloro, o não podermos pôr o dedo mindinho fora do
chinelo sob pena de apanharmos pé-de-atleta e convenhamos, mesmo com o recinto
e a água aquecidos não é uma atividade agradável para se fazer no
inverno.
Há sensivelmente quatro meses atrás o meu marido,
que também começa a sentir-se algo enferrujado, propôs-me tentarmos fazer yoga.
Eu achei que era de aproveitar que a sugestão viesse dele, ainda que um puco
incrédula se iríamos mantermo-nos motivados ao longo do tempo. O que e certo é
que já lá vão quatro meses e continuamos a frequentar as aulas religiosamente
(salvo seja!). Para além disso, eu sempre que posso pratico em casa (nesta parte
ele já não alinha) e até tenho ensinado algumas posições mais fáceis às miúdas
que acham piada quando me veem nas diferentes posições, ou a fazer mantra:
Quando acordo de madrugada e já não consigo
voltar a dormir (algo frequente em mim), opto por praticar yoga: diminui-me o
stress por não conseguir dormir e sinto-me melhor ao começar o dia desta forma.
Claro que o ideal seria adquirir a rotina de acordar mais cedo para praticar yoga
mas isso, estou muito longe de alcançar. No entanto, sempre que o tempo o permite, sinto-me muito bem em praticar yoga no
jardim, apesar do piso não ser o melhor para algumas posições. Lá, o contacto com
a natureza enquanto tento atingir equilíbrio físico e mental, para mim, faz
todo o sentido.
Apesar de ainda ser uma
principiante e confundir-me com alguns pormenores das posturas (como qual é a
perna e o braço que estica ou dobra, etc.), sinto que estou muito melhor a
nível osteomuscular e as dores melhoraram imenso. Para além disso, voltei a ter
mais elasticidade, algo que tinha perdido com o tempo: estávamos mesmo a ficar
perros!
Mas fazer yoga não é apenas praticar posições, exige também algum estudo e
conhecimento do que estamos a fazer. E neste campo somos mesmo novatos.
Trata-se de algo muito complexo, com várias disciplinas técnicas: não vou falar aqui
de todas (espero falar mais detalhadamente sobre cada uma delas à medida que
for evoluindo na minha prática), mas um pouco sobre as que tenho praticado mais nas
aulas e que, para já ,consigo perceber melhor:
Com o asana procuramos a
estabilidade física e mental, através do domínio das diversas posições físicas
firmes e confortáveis, envolvendo o físico, emocional e mental. Nestas posições
envolvemos o sistema muscular e osteoarticular, glandular e abertura dos canais
energéticos (nadies). Existem posições muito complexas que exigem elasticidade e concentração para as conseguir concretizar já muito avançadas. No entanto, o yoga não é só posições estranhas e complicadas. Mesmo as mais simples, que facilmente dominamos desde início, fazem toda a diferença a nível físico e até mental.
Com os diversos tipos de pranayamas pretende-se
ganhar consciência da função respiratória, adquirindo assim mais energia,
vitalidade e melhor distribuição dessa energia por todo o corpo. A respiração é
essencial para a concentração e meditação, além de ser benéfica para a saúde e
bem-estar geral. São vários os tipos de pranyama
e que são praticados dependendo da fase de evolução do praticante (eu ainda
estou na fase de adquirir consciência dos movimentos da respiração abdominal).
O mantra diz respeito à repetição de
sílabas em sânscrito (uma das vinte e três línguas oficiais da índia, com uso
litúrgico, hinduísmo, budismo e jainismo), com ou sem musicalidade, que
vocalizadas corretamente despertam níveis superiores de consciência (técnica
que eu estou longe de conseguir apesar de gostar de o fazer). Quando feito
corretamente, origina uma frequência vibratória sonora que
distribui a energia por todo o corpo, purificando os canais energéticos (nadies)
e preparando a mente para a meditação.
O processo de meditação é no fundo um
conjunto de patamares, que se vão atingindo ao longo do nossa própria evolução
da prática de yoga: Pratyhara (Interiorização), Dharana
(Concentração) e Dhyana (Meditação). Se a nível físico tenho sentido
muita diferença desde que começamos a praticar, a nível mental e psicológico
penso que a caminhada será bem mais longa. Tanto eu como o meu marido sentimos,
ainda, muita dificuldade em nos concentrarmos no momento da meditação: não
consigo mesmo abstrair-me do que se passou ao longo do dia ou do que tenho para
fazer no dia seguinte.
Como referi anteriormente, muito mais haveria para para
dizer, nomeadamente sobre outras disciplinas técnicas que não falei
porque ainda não tive oportunidade em praticá-las. Mas o que vos posso assegurar é
que desde logo comecei a sentir diferença
ao nível da elasticidade muscular e as dores diminuíram consideravelmente. Porque
não experimentar?