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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Encontro de estações à mesa


Se me dissessem há uns anos atrás que por esta altura do ano ainda seria possível comer al fresco no jardim, eu não diria que era impossível, mas certamente improvável. Mas é o que tem acontecido neste outono: enquanto que nos anos anteriores, por esta altura, já se queimavam os primeiros troncos na lareira, este ano continuamos a comer no jardim e a aproveitar o que de bom nos traz o tempo ameno.
Curiosamente, por estes dias, os produtos do verão encontram-se à mesa com as primeiras oferendas do outono e este fim-de-semana houve espaço na brasa para um carapau escalado temperado com sal e ervas aromáticas, um assador de barro com castanhas e as últimas massarocas de milho doce que ainda encontrei no mercado biológico. À mesa, estas iguarias encontraram-se ainda com uma abóbora hokaido assada com alecrim e batatas à murro. 
 

Admito: este outono ando viciada na abóbora hokaido. Conheci-a recentemente no mercado e na mercearia biológica e estou fascinada. Utilizo em sopas, estufados ou, como neste caso, simplesmente assada. Para além de ser muito saborosa e cremosa, é muito prática de cozinhar porque a casca, que inicialmente parece dura quando a cortamos, após a cozedura fica macia como a polpa. Desde que seja biológica (que é sempre o caso) só preciso de limpar as sementes e cortar no formato que pretendo sem necessidade de a descascar.
De resto, foi um verdadeiro repasto: haverá coisa melhor do que boa comida cozinhada de forma simples e saboreada ao ar livre?

Para já não sabemos quantos dias de frio e "escuridão" nos esperam, por isso mais vale aproveitar esta benesse da natureza enquanto mordemos os últimos grãos de milho do ano.


domingo, 13 de julho de 2014

A escolha do peixe na nossa alimentação


Como já referi anteriormente cá em casa algumas das nossas refeições continuam a ser de carne e peixe. Apesar de acreditar profundamente que o consumo de proteína animal deva ser reduzido (atendendo aos padrões atuais de consumo) e substituído por alternativas vegetarianas (e não obrigatoriamente por soja), ainda não encontrei uma evidência de que posso, em segurança, eliminar de vez a proteína animal da nossa alimentação, sem comprometer alguns aspetos da saúde, nomeadamente no que diz respeito às crianças. Neste sentido, procuro fazer uma a duas refeições por semana de peixe. Devo, no entanto, confessar que não é o tipo de prato que mais me dê prazer em confecionar: normalmente, por supostamente ser mais prático, peço na peixaria (do mercado, claro) para o limpar, no entanto, é rara a vez que o peixe seja realmente bem limpo e sou obrigada a acabar de o limpar entre resmungos e críticas dirigidas a quem me entregou o peixe naquele estado...
Por outro lado a escolha do peixe é sempre uma preocupação: a poluição dos mares é algo sempre presente na minha escolha quando vou às compras e cada vez mais procuro fazer escolhas responsáveis tanto a nível de saúde como a nível ambiental.  São inegáveis os benefícios do peixe para a nossa saúde (uma boa fonte de proteína e de gorduras insaturadas, por exemplo), no entanto não podemos ignorar que a escolha do peixe isento de poluição é bem mais difícil (se não impossível) do que comparado com a escolha da carne. No entanto tenho alguns cuidados que tento seguir quando vou comprar peixe:


                        in:  http://oceana.org/en/our-work/stop-ocean-pollution/mercury/overview

Não compro peixe de aquacultura a não ser proveniente de práticas de aquaculturas responsáveis (devidamente certificadas e assinaladas com o símbolo de agricultura biológica): as explorações de aquaculturas podem ser fontes de poluição, nomeadamente no que diz respeito ao excesso de alimentação, resíduos de peixe e peixes mortos. Este resíduo pode estimular o crescimento exacerbado de algas, escurecendo as águas costeiras e provocando a alteração dos ecossistemas existentes no fundo do mar. As altas densidades de peixes em tanques-rede utilizados pelas instalações de aquacultura levam a surtos de doenças e os peixes em cativeiro escapam muitas vezes para o meio ambiente, onde podem espalhar essas mesmas doenças à população de peixes selvagens. Os peixes de viveiros são tratados com antibióticos para resolver esses mesmos surtos, com todas as implicações que já conhecemos para a saúde humana. Por outro lado e ironicamente, a aquacultura é cada vez mais a causa da pesca excessiva das "espécies presas". Espécies como o salmão (que praticamente já não se encontra sem ser oriundo segundo este modo de produção) e o atum, são predadores de outras espécies e exigem grandes quantidades de óleo e farinha de peixe na sua alimentação, tornando-os altamente dependentes da pesca selvagens. 

Outra preocupação é a contaminação das águas do oceano com mercúrio: esta questão já não é nova e lembro-me de em criança ouvir as preocupações da minha mãe a este respeito na escolha e compra do peixe. O mercúrio é libertado para o meio ambiente a partir de fontes industriais e através de um processo chamado bioacumulação os animais posicionados no topo da cadeia alimentar, ou seja, predadores de outras espécies, possuem níveis mais elevados de mercúrio. Muitos dos peixes que nós comemos, como o atum, a pescada e o peixe-espada poderão estar contaminados com mercúrio tendo consequências nefastas para a saúde humana, como o atraso do desenvolvimento neurológico em crianças. Neste sentido, a Food and Drug Administration e a Agência de Proteção Ambiental têm aconselhado as mulheres em idade fértil e crianças a não comerem certos tipos de peixes, devido aos elevados níveis de mercúrio. 

 Sobre este assunto tão atual e preocupante aconselho vivamente a consulta do site da Oceana, a maior organização internacional que se dedica à conservação dos oceanos e proteção dos ecossistemas marinhos: http://oceana.org/en/eu/home, ou ainda a lista vermelha da Greenpeace em http://www.greenpeace.org/portugal/Global/portugal/report/2008/6/lista-vermelha-peixes.pdf. 
Sobre a escolha das espécies de peixe a comprar as minhas recomendações são: antes de mais, tal como no consumo de carne, alternar as nossas refeições de carne e peixe com refeições vegetarianas, reduzindo desta forma a necessidade do seu consumo. Em segundo lugar tentar escolher espécies não predadoras e que têm um ciclo de vida mais curto (como a sardinha ou o carapau). Sim, eu sei, não é fácil. Temos a sensação que seja qual for a nossa escolha não conseguimos escapar a aspetos nocivos à saúde e ao ambiente. No entanto é esta realidade em que vivemos e não podemos continuar a enganarmo-nos dizendo repetidamente: “se formos a pensar nisso, não comemos nada…”. Pelo contrário: é urgente pensar e com o tempo estas práticas passam a fazer parte do nosso dia-a-dia e tudo fica bem mais fácil.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

A entrevista a Colin Campbell: "Se comermos alimentos de origem animal, aumentamos o risco de doenças"

Hoje trago-vos mais uma entrevista que me parece importante ler. Não saiu em nenhuma revista de alimentação saudável ou de nenhum instituto de medicina ou alimentação alternativa. A entrevista a Colin Campbell saiu no Público, para quem quiser ler e informar-se, já não há desculpas. Professor de Bioquímica Nutricional na Universidade de Cornell, onde se doutorou em nutrição, bioquímica e microbiologia. Coordenou, nos anos 80, o que ficou conhecido, infelizmente por poucos no que diz respeito ao público em geral, como o estudo da China que pretendeu fundamentalmente estudar a relação entre a alimentação, estilo de vida e doenças degenerativas modernas, realizado pelas Universidades de Cornell, Oxford, com o apoio da Academia Chinesa de Medicina Preventiva. 
E já agora: não, não eliminei totalmente da nossa dieta a carne, o peixe e os ovos (à exceção da carne de porco que eliminei recentemente, por completo, da nossa dieta). De resto, como já escrevi aqui, só compro carne de produção extensiva e/ou biológica no caso de carne de vaca, frangos biológicos e ovos de pequenos produtores que conheço. Mas reduzi-os substancialmente, alternando essas refeições por refeições vegetarianas. Quanto ao leite de vaca, estamos em processo de substituição gradual por alternativas vegetais.
E dos meus leitores, quem já tinha conhecimento deste estudo? Gostaria de saber a vossa opinião sobre esta matéria e discuti-la convosco...Deixo-vos o link da entrevista para que possam ler.