Mostrar mensagens com a etiqueta Fora do caldeirão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fora do caldeirão. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Novo projeto: Quero-te Bio



Caros leitores,
Antes de mais quero agradecer-vos por, mesmo já não escrevendo há algum tempo, continuarem a visitar o blog. Ainda bem que O caldeirão de Dagda continua a inspirar e, espero eu, a ajudar para que tenham uma visão mais alargada da alimentação biológica.
Hoje escrevo, muito provavelmente, o meu último post no caldeirão: não porque estou cansada, não porque acho que deixou de valer a pena. Muito pelo contrário: este projeto ajudou-me a pôr as ideias no lugar, a aprender mais sobre o tema, a reunir e a sistematizar informação importante. Este projeto foi o prelúdio, ainda que no início não o sabia, de um outro que criei recentemente e que me ocupa, neste momento, todo o meu tempo e dedicação possível.
Digo adeus, ou melhor dizendo, levo o caldeirão para a Quero-te Bio, cujo slogan é "somos o que comemos", uma loja on-line de produtos de agricultura biológica, no qual poderão continuar a encontrar artigos, receitas (minhas e de outras pessoas que convidarei para colaborar neste novo projeto) e os produtos que falo e recomendo. Como explico no site : "(...) a Quero-te Bio não é só uma loja on-line de produtos biológicos onde poderá fazer as suas compras, pretende também ser um espaço de troca de experiências nesta procura que nem sempre é fácil: junte-se a nós, consulte as nossas sugestões, artigos, receitas e sobretudo partilhe as suas experiências e conhecimentos connosco. Na Quero-te Bio todos aprendem, mas também todos ensinam."
Espero encontrá-lo(a) lá e espero que continue a ajudar-vos na vossa procura de um estilo de vida saudável.

De quem vos quer Bio,
Maria João Seixas

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Visita à Quinta do Pomar

 
A agricultura biológica anda muitas vezes de mão dada com a agricultura familiar. São pessoas e famílias que a dada altura romperam com um estilo de vida afastado das suas raízes e da natureza e remando contra uma forte corrente (é sempre difícil ser-se diferente), abraçam um modo de vida que lhes faz mais sentido. Já aqui vos mostrei o caso da Quinta da Ribeira, agora mostro-vos também uma outra quinta biológica, a Quinta do Pomar, que visitei no passado verão, na ilha da Madeira.
Conheci-os no mercado biológico do Funchal e fiquei curiosa em conhecer a quinta. Tal como outras quintas biológicas que comercializam os seus produtos, é possível visitar o espaço e ver o trabalho de perto. Convidam-nos com orgulho a metermos os pés nas suas terras e a conhecermos o fruto do seu trabalho:
Ao chegarmos à quinta, situada num ponto alto dos limites do Funchal, percebemos de imediato que tudo o que vem dali está muito longe da produção massiva e convencional. A casa confunde-se com o plantio em socalcos, tão típicos na agricultura da ilha, condicionada pela sua geografia montanhosa e encostas abruptas. O verde impera nestas paragens, respiramos ar fresco e puro enquanto se vislumbra lá em baixo, ao longe, a cidade do Funchal e o mar azul. Mar e serra: um encontro tão típico nestas paragens e que certamente definem a especificidade dos produtos que daqui são colhidos. 
À chegada fomos recebidas com um sorriso nos lábios e uma amostra dos produtos apanhados de fresco. Claro que, mais uma vez, os produtos falavam por si: cores vivas, aromas que se sentem e formas singulares moldadas pelo tempo e pela terra. 























Aqui, como noutros exemplos que já vos falei, podemos observar como tudo se relaciona e transforma, nada é desperdiçado. A compostagem é primordial: é com ela que se fertiliza o solo que depois dá nova vida. O que não é vendável é aproveitado para alimentar os animais: galinhas, coelhos, cabras e até porco preto, que fomos encontrando pela quinta. 

As crianças do casal que explora a quinta correm e brincam livremente por todo o espaço: o quintal é o seu parque de diversões e alguns dos animais os seus companheiros de brincadeiras mas também ajudam na colheita de frutos e legumes, porque aqui há sempre o que fazer.



Quando penso com alguma apreensão no futuro do planeta, das novas gerações e consequentemente no futuro das  minhas filhas e de cada vez que conheço alternativas de vida, como esta que descrevo, não tenho dúvidas que este é o caminho: pelos trilhos dos saberes passados e o regresso à terra.

domingo, 19 de outubro de 2014

No bosque e na aldeia


A rotina trabalho-casa, casa-trabalho pode ser tramada. Por muito que gostemos do que fazemos, se não tivermos cuidado enredamo-nos num ciclo vicioso que mais cedo ou mais tarde nos limita os horizontes. É preciso ter força de vontade para nos fins-de-semana não cairmos na tentação de simplesmente nos estendermos no sofá e deixar o tempo passar. 
Quando apercebi-me que este fim-de-semana o tempo estaria inesperadamente bom para a época do ano, tratei logo de planear um passeio para explorarmos outras paragens e respirarmos novas realidades. Já tivemos a oportunidade de conhecer algumas aldeias serranas da Lousã, como foi o caso de Gondramaz, mas outras há ainda por descobrir e desta vez fomos para os lados do concelho de Góis conhecer a aldeia Aigra Nova.
Mais uma vez optámos pelo piquenique para o almoço e à semelhança do nosso passeio à Serra da Estrela, fiz umas empadas sem glúten, recheadas com cogumelos shiitake, couve roxa e lombarda. Apesar do almoço ter sido muito agradável, à sombra de castanheiros e de outras árvores autóctones, não planeara, ainda, escrever este post e por isso não me preocupei em tirar as fotografias. Podem, no entanto, encontrar a receita da massa das empadas aqui. Quanto ao recheio foi simplesmente saltear cebola, alho, os cogumelos fatiados e as couves cortadas à tiras fininhas. Caril, curcuma, ervas aromáticas e umas gotas de vinagre de cidra para dar um toque especial e não foi preciso mais para fazer umas empadas biológicas, saborosas, sem glúten e um almoço prático para a ocasião.
Quando, depois de comermos, começámos a explorar o espaço que escolhemos para almoçar não resisti em tirar fotografias e a ideia do post foi, de facto, surgindo à medida que encontrava maravilhas escondidas. Infelizmente já não é fácil encontrar floresta no nosso país: os pinheiros, os eucaliptos e a invasora acácia sufocam as espécies que há muito povoaram as nossas florestas como o castanheiro, o sobreiro, o carvalho, ou o azevinho. Quando vou dar um passeio e fazer um pique-nique tento, na medida do possível, embrenhar-me em pequenos bosques que me trazem na mente como este território foi um dia, antes do império das monoculturas do pinheiro e eucalipto. Se ficarmos atentos as duas paisagens, apesar de verdes, nada têm a ver uma com outra. Normalmente temos de sair da estrada principal para encontrarmos estes tesouros cada vez mais raros, mas quando os encontramos vale mesmo a pena: árvores com os seus troncos imponentes e retorcidos, almofadados com uma espessa, mas macia, camada de musgo e líquenes. Várias espécies de cogumelos que brotam discretamente do tapete de folhas de vários tons e feitios que cobrem o solo e riachos escondidos com grutas interessantes por descobrir:

Nestes bosques as árvores têm alma e história, alguns troncos disformes e aparentemente ocos albergam animais, plantas e outros segredos. Sentimo-nos realmente pequenos ao pé delas.
A dada altura apercebemo-nos que as ouriços das castanhas eram muitos e não resistimos em apanhá-las e recolhê-las numa bolsa improvisada feita com a minha saia. Interessante foi ver a cara de espanto das miúdas quando se aperceberam que aquelas bolas cheias de picos continham um dos seus frutos favoritos, guardados e bem protegidos da queda que fazem desde o alto da árvore (confesso que houve alturas que tememos pelas nossas cabeças tal era o número de ouriços que sonoramente caíam aos nossos pés).
Terminado o almoço e a exploração do bosque dirigimo-nos à aldeia serrana Aigra Nova, que atualmente conta com quatro habitantes permanentes. Tivemos sorte: não só visitámos uma típica aldeia serrana, salpicada de casas de xisto, com as suas ruelas pitorescas de pedra mas assistimos, também, a uma recriação da colheita e malha do milho como em tempos se fez nestas (e noutras) paragens:



As crianças (e nós) adorámos: é bom lembrar ( e no caso delas aprender) que não existe apenas um modo de vida, que existem outras alternativas. É importante lembrar e ensinar aos mais novos que a vida não é só, nem pode ser, o reboliço da cidade, as grandes superfícies (que pessoalmente já não suporto e raramente frequento) e as rotinas da semana que muitas vezes nos impedem de pensar em algo mais e ver outras formas de vida. Elas estão aí, existem e são reais: é só estarmos atentos e ter a coragem de agarrá-las...

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Mercadinho biológico do Funchal


Já todos sabem como gosto de mercados, já todos sabem como gosto ainda mais de mercados biológicos. Desta vez venho falar-vos de um mercado biológico que conheci recentemente e que decorre todas as quartas-feiras na cidade do Funchal, no Largo da Restauração.
Devo confessar que ao chegar fiquei surpreendida com a oferta e variedade de produtos. Cores, formas, texturas e aromas saltam das bancas que desfilam no espaço. Hortaliças, ervas aromáticas, pão e frutas, muitas frutas, nomeadamente tropicais, típicas desta região: mangos (mais pequenas que as conhecidas mangas, mas não menos doces), bananas, physalis, filodendro e muitas mais. Também fiquei impressionada com a afluência de pessoas, mostrando que na região a produção biológica já é muito valorizada. Sendo madeirense não posso deixar de ficar orgulhosa com a forma como a produção biológica tem ganho cada vez mais destaque e adeptos na região. Nestas últimas férias não tive qualquer dificuldade em manter os meus hábitos alimentares: a minha mãe e irmã são clientes assíduas deste mercado e de outros pontos de venda de produtos biológicos ou ecológicos e inclusivamente tivemos a oportunidade de visitar a Quinta do Pomar, mas isso dará um outro post. Até em restaurantes encontrei por diversas vezes oferta de refeições confecionadas com produtos biológicos. Não é por acaso que a ilha da Madeira foi uma das primeiras regiões, a nível mundial, a proibir a produção de alimentos geneticamente modificados.

Como já é habitual na produção biológica os produtos falam por si e pouco há a dizer que supere o aspeto e a vontade de os colocar no cesto das compras, por isso deixo-vos com algumas imagens da minha visita a este mercado que conta  com 10 anos de existência:





É bem visível nos produtores o orgulho que têm no seu trabalho, nos seus produtos e na região que com o seu microclima permite uma boa oferta todo o ano. Também aqui se ouvem os produtores a partilharem os seus conhecimentos e técnicas com os clientes: "Vou ensinar-lhe a semear batatas sem precisar de cavar..." dizia um. Também aqui os vendedores passam a conhecer os seus clientes e vice-versa, convidam-nos, com orgulho, a conhecerem as suas explorações e despedem-se com um sorriso nos lábios dizendo: "Então até para a semana!"







segunda-feira, 23 de junho de 2014

10 anos de mercado biológico em Coimbra: as celebrações


Este último sábado, foi solstício de verão e apesar de não parecer que entramos nesta estação, foi um dia particularmente bem passado com os festejos do 10º aniversário do mercadinho biológico no Jardim Botânico de Coimbra. Já escrevi várias vezes sobre este mercado que ocorre duas vezes por semana em Coimbra (sábado e às terças-feiras no mercado do Calhabé), que nos últimos cinco anos tem sido um dos principais locais das minhas compras semanais e tem tornado possível a mudança nos nossos hábitos alimentares. Comecei a frequentá-lo na altura da introdução das sopas de legumes à minha filha mais velha e desde então nunca mais parei de o frequentar. Fiquei surpreendida quando soube que já fazia 10 anos: como é que durante 5 anos não tive qualquer conhecimento da sua existência? Talvez porque ainda não estava desperta o suficiente para estas questões, porque quando comecei a indagar onde haveria um posto de venda de produtos de agricultura biológica em Coimbra, não foi difícil de encontrá-lo. 
E ao longo destes 5 anos posso dizer com segurança que este mercado não só proporcionou a possibilidade de melhorar os hábitos alimentares da minha família, mas também alguns dos melhores momentos de convívio com as minhas filhas. Fica situado num espaço privilegiado da cidade de Coimbra, o Jardim Botânico e enquanto eu faço as minhas compras as miúdas (devidamente vigiadas pelo pai), brincam no espaço circundante, nomeadamente numa árvore que estranhamente e muito generosamente cresceu em direção ao solo, emprestando assim os seus troncos e ramos retorcidos às crianças que nela queiram trepar. Até a mais pequena já o faz com alguma perícia e já aconteceu saírem de lá com os joelhos esfolados, mas a pedirem para ficarem. Nas manhãs de sábado costumam perguntar entusiasmadas: "Hoje vamos ao mercadinho?"

Aqui ficam alguns momentos bem passados nestes últimos 5 anos:

 Comentário da minha irmã quando viu esta foto: "Rodin (quase) previu isto"!




Não é raro que outras atividades dinamizem o espaço em parceria com o mercadinho: artesanato, música e dança na sombra das árvores, ocorrem com alguma frequência…

 
Anos mais tarde a mais nova, na mesma época do ano, imitaria a irmã fascinada com o tom violeta que, por essa altura, cobre o chão...



























Mas como referi no início do post, este sábado foi o festejo do 10º aniversário do mercadinho e apesar da chuva que teimou em aparecer em pleno solstício de verão, o ambiente não poderia ter sido melhor. A começar pela qualidade dos produtos que já é hábito por estas paragens:


Se a minha filha não fosse alérgica ao trigo teria levado um bom punhado para fazer a típica sopa de trigo madeirense...
Lembram-se de eu vos ter falado deste pão? Agora quando o quero comprar preciso de telefonar com alguma antecedência e pedir para me guardarem. O mercadinho está, sem dúvida, a crescer...
Os primeiros tomates-cherry (que no mercado só se vendem produtos da época). Salicórnia, uma erva ótima para a salada para substituir o sal marinho (ou depois de seca e moída para a culinária em geral) e que segundo estudos científicos é anti-oxidante, anti-cancerígena, diurética e repositora de eletrólitos. Rebentos...

























Quem precisa de ovos de supermercado? Estes não são de galinhas criadas em "gaiolas melhoradas" (parto-me a rir quando leio essa nota nas caixas de ovos dos supermercados)...


Mel, melada (que descobri e adorei), cerejas, hortaliças. Enfim, palavras para quê?

Para além dos produtos, houve vários eventos para assinalar a data:
 Aula de yoga logo pela manhã (infelizmente não tive o prazer em participar)...



Fernando Meireles deliciou-nos com música celta ao vivo e claro, houve quem não resistisse e dançasse alegremente...







 A atuação dos Birds are Indie um grupo que, com a chegada dos 30, ousou quebrar com as convenções e seguir o seu sonho de se dedicarem a uma banda...


Uma tertúlia sobre Alimentação Saudável e Agricultura Sustentável, um momento particularmente interessante porque para além da informação veiculada pelos oradores, os presentes também fizeram questão em participar com as suas questões, partilha de informação e experiência.

O ambiente foi de facto de descontração e de convívio. O tempo passou sem sentirmos e a chuva que caiu, em algumas ocasiões, não nos demoveu de ficar e participar:



Houve, também, um almoço amavelmente oferecido pelos vendedores do mercado aos presentes. Aqui deixo o meu sincero agradecimento: refeições macrobióticas, vegetarianas e sobremesas saudáveis desfilaram em mesas improvisadas e as pessoas degustaram refeições maravilhosas enquanto partilhavam experiências e procuravam saber junto dos vendedores os segredos da confeção das refeições que comiam. Infelizmente, na altura já não tinha o meu iphone comigo e não me foi possível registar fotograficamente o momento.

E vocês? Por onde andaram? O meu conselho é que saiam de casa ou dos centros comerciais e venham para os mercados, tenho a certeza que só ficarão a ganhar.