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segunda-feira, 20 de abril de 2015
Novo projeto: Quero-te Bio
Caros leitores,
Antes de mais quero agradecer-vos por, mesmo já não escrevendo há algum tempo, continuarem a visitar o blog. Ainda bem que O caldeirão de Dagda continua a inspirar e, espero eu, a ajudar para que tenham uma visão mais alargada da alimentação biológica.
Hoje escrevo, muito provavelmente, o meu último post no caldeirão: não porque estou cansada, não porque acho que deixou de valer a pena. Muito pelo contrário: este projeto ajudou-me a pôr as ideias no lugar, a aprender mais sobre o tema, a reunir e a sistematizar informação importante. Este projeto foi o prelúdio, ainda que no início não o sabia, de um outro que criei recentemente e que me ocupa, neste momento, todo o meu tempo e dedicação possível.
Digo adeus, ou melhor dizendo, levo o caldeirão para a Quero-te Bio, cujo slogan é "somos o que comemos", uma loja on-line de produtos de agricultura biológica, no qual poderão continuar a encontrar artigos, receitas (minhas e de outras pessoas que convidarei para colaborar neste novo projeto) e os produtos que falo e recomendo. Como explico no site : "(...) a Quero-te Bio não é só uma loja on-line de produtos biológicos onde poderá fazer as suas compras, pretende também ser um espaço de troca de experiências nesta procura que nem sempre é fácil: junte-se a nós, consulte as nossas sugestões, artigos, receitas e sobretudo partilhe as suas experiências e conhecimentos connosco. Na Quero-te Bio todos aprendem, mas também todos ensinam."
Espero encontrá-lo(a) lá e espero que continue a ajudar-vos na vossa procura de um estilo de vida saudável.
De quem vos quer Bio,
Maria João Seixas
domingo, 19 de outubro de 2014
No bosque e na aldeia
A rotina trabalho-casa, casa-trabalho pode ser
tramada. Por muito que gostemos do que fazemos, se não tivermos cuidado
enredamo-nos num ciclo vicioso que mais cedo ou mais tarde nos limita os
horizontes. É preciso ter força de vontade para nos fins-de-semana não cairmos
na tentação de simplesmente nos estendermos no sofá e deixar o tempo
passar.
Quando apercebi-me que este fim-de-semana o tempo
estaria inesperadamente bom para a época do ano, tratei logo de planear um
passeio para explorarmos outras paragens e respirarmos novas realidades. Já tivemos
a oportunidade de conhecer algumas aldeias serranas da Lousã, como foi o caso
de Gondramaz, mas outras há ainda por descobrir e desta vez fomos para os lados
do concelho de Góis conhecer a aldeia Aigra Nova.
Mais uma vez optámos pelo piquenique para o
almoço e à semelhança do nosso passeio à Serra da Estrela, fiz umas empadas sem
glúten, recheadas com cogumelos shiitake, couve roxa e lombarda. Apesar do
almoço ter sido muito agradável, à sombra de castanheiros e de outras árvores
autóctones, não planeara, ainda, escrever este post e por isso não me preocupei
em tirar as fotografias. Podem, no entanto, encontrar a receita da massa
das empadas aqui. Quanto ao recheio foi simplesmente saltear cebola, alho, os
cogumelos fatiados e as couves cortadas à tiras fininhas. Caril, curcuma,
ervas aromáticas e umas gotas de vinagre de cidra para dar um toque especial e não foi
preciso mais para fazer umas empadas biológicas, saborosas, sem glúten e um almoço prático para a ocasião.
Quando, depois de comermos, começámos a explorar
o espaço que escolhemos para almoçar não resisti em tirar fotografias e a ideia
do post foi, de facto, surgindo à medida que encontrava maravilhas escondidas.
Infelizmente já não é fácil encontrar floresta no nosso país: os pinheiros, os
eucaliptos e a invasora acácia sufocam as espécies que há muito povoaram as
nossas florestas como o castanheiro, o sobreiro, o carvalho, ou o azevinho. Quando vou dar um passeio e fazer um pique-nique tento, na medida do
possível, embrenhar-me em pequenos bosques que me trazem na mente como este
território foi um dia, antes do império das monoculturas do pinheiro e
eucalipto. Se ficarmos atentos as duas paisagens, apesar de verdes, nada têm a
ver uma com outra. Normalmente temos de sair da estrada principal para
encontrarmos estes tesouros cada vez mais raros, mas quando os encontramos vale
mesmo a pena: árvores com os seus troncos imponentes e retorcidos, almofadados
com uma espessa, mas macia, camada de musgo e líquenes. Várias espécies de
cogumelos que brotam discretamente do tapete de folhas de vários tons e feitios
que cobrem o solo e riachos escondidos com grutas interessantes por descobrir:
Nestes bosques as árvores têm alma e história, alguns troncos disformes e aparentemente ocos albergam animais, plantas e outros segredos. Sentimo-nos realmente pequenos ao pé delas.
A dada altura apercebemo-nos que as ouriços das castanhas eram muitos e não
resistimos em apanhá-las e recolhê-las numa bolsa improvisada feita com a minha
saia. Interessante foi ver a cara de espanto das miúdas quando se aperceberam
que aquelas bolas cheias de picos continham um dos seus frutos favoritos,
guardados e bem protegidos da queda que fazem desde o alto da árvore (confesso
que houve alturas que tememos pelas nossas cabeças tal era o número de ouriços
que sonoramente caíam aos nossos pés).
Terminado o almoço e a exploração do bosque dirigimo-nos à aldeia serrana
Aigra Nova, que atualmente conta com quatro habitantes permanentes. Tivemos
sorte: não só visitámos uma típica aldeia serrana, salpicada de casas de xisto,
com as suas ruelas pitorescas de pedra mas assistimos, também, a uma recriação da
colheita e malha do milho como em tempos se fez nestas (e noutras) paragens:
As crianças (e nós) adorámos: é
bom lembrar ( e no caso delas aprender) que não existe apenas um modo de vida,
que existem outras alternativas. É importante lembrar e ensinar aos mais novos que
a vida não é só, nem pode ser, o reboliço da cidade, as grandes superfícies
(que pessoalmente já não suporto e raramente frequento) e as rotinas da semana que
muitas vezes nos impedem de pensar em algo mais e ver outras formas de vida.
Elas estão aí, existem e são reais: é só estarmos atentos e ter a coragem de
agarrá-las...
segunda-feira, 30 de junho de 2014
"A saúde é subversiva porque não dá lucro a ninguém"
"A saúde é subversiva porque não dá lucro a
ninguém." A frase não é minha (mas poderia ser), trata-se do slogan do
blog Deixa Sair da jornalista brasileira Sónia Hirsch que se tem dedicado à
promoção e educação para a saúde da população em geral. O tom provocatório do
título e slogan não é por acaso: no seu blog, Sónia procura
partilhar informação fruto das suas próprias pesquisas e experiência pessoal do
que poderão ser hábitos de alimentação saudáveis, denunciar situações que só
trazem prejuízo à saúde pública, ainda que disseminadas enquanto
saudáveis pela indústria alimentar, criticar políticas que só existem para
defender os interesses dos grandes, em detrimento da saúde dos pequenos. Quando descobri o seu blog
devorei-o com prazer e com vontade de aprender, porque está construído com uma
forte componente educativa: a autora faz sempre questão de responder aos
comentários dos seus leitores (que não são poucos), numa perspetiva de
partilha, orientação e de comunidade (infelizmente, algo raro no mundo da
blogosfera).
Vale a pena ler, explorar e pensar porque é esse,
e atrevo-me a concluir sem nunca ter privado com a autora, o principal
objetivo do seu blog: fazer pensar, fazer-nos questionar o que julgamos
inquestionável...
Deixo-vos aqui uma entrevista que Sónia deu
recentemente e que mostra a sua postura face ao mundo, à alimentação e à saúde:
fala sobre a importância de estarmos atentos às leis da natureza e aos seus
ciclos, da escolha dos produtos alimentares em mercados (se possível
biológicos), enfim, de estarmos atentos e fazermos parte integrante e
responsável ao que nos rodeia e não deixar que sejam outros a escolher
por nós.
O meu desafio de hoje é: coloquem de lado o
preconceito com o sotaque brasileiro (caso exista), coloquem de lado as
reservas com o(a)s autodidatas no que diz respeito à alimentação e saúde. Estou convencida de que o
conhecimento sobre a alimentação não pode ser exclusivo dos especialistas,
fechado, guardado, manipulado e só partilhado quando as pessoas já têm os
problemas, muito pelo contrário, todos deveriam procurar aprender, aprofundar e
descobrir o que é que lhes faz bem ou mal e consequentemente ganhar algum
controlo sobre a sua saúde. Ouçam com atenção as suas explicações tão claras,
sinceras e acessíveis a todos, como só o(a)s brasileiro(a)s conseguem fazer:
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