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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

1 galinha biológica = x refeições


Antes de mais gostaria de vos pedir desculpa por já há algum tempo não escrever nenhum post mas ando com um novo projeto em mãos e tem sido difícil conciliar com o blog.
No seguimento do que escrevi aqui e aqui, gostaria de vos mostrar como faço os meus caldos. Este é proveniente de uma galinha biológica que comprei mas faço também de peixe, carne vermelha, etc. Como a galinha era já velha teve de ser bem cozinhada. Decidi, então, fazer primeiro uma canja com a mesma (com legumes, aromatizada com um pau de canela e gengibre) e antes de adicionar a massa (sem glúten), retirei algum caldo resultante para pequenos recipientes. Após o arrefecimento coloquei-os no congelador e fiquei com caldos de galinha caseiros, prontos a serem usados noutros cozinhados.
Utilizo estes caldos em vários pratos como risottos, sopas (embora raramente acrescente uma fonte de proteína animal na sopa), molhos para massa, etc.



Escusado será dizer que esta galinha estava cheia de sabor: não precisei de adicionar qualquer fonte de gordura adicional na canja ou mesmo depois no assado de galinha que fiz após a cozedura da mesma na canja. Depois com os restos do assado fiz um arroz de galinha com a carne que ainda restou.
Com uma galinha de qualidade faço várias refeições: naquelas em que utilizo simplesmente o caldo (nem os descongelo, deito apenas o caldo congelado na panela), não acrescento outra fonte de origem animal. Esta é uma estratégia que recorro para diminuir a compra de carne ao longo do mês. Assim, quando compro, compro de qualidade.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Contém sulfitos!


Hoje não tive hipótese de fazer o almoço e numa hora de aperto e com muita pena e relutância minha, optei por ir a um supermercado comprar alguma coisa para levar. Como já esperava a escolha não foi fácil e acabei por arrepender-me. Escolhi um conhecido supermercado perto de casa e até dos que eu acho que não será dos piores (não vou mencionar nomes porque para além de achar que não tenho autoridade para o fazer, no fundo, eles não estão a fazer nada de ilegal) e fui com o objetivo de comprar uma pizza congelada, de preferência de legumes, supostamente cozinhada a forno de lenha. Primeiro procurei se haveria algum produto deste género proveniente de agricultura biológica (na mercearia onde habitualmente faço as minhas compras tem pizzas biológicas pré-congeladas), mas não tinha. Então, escolhi aquela que me parecia que teria os melhores ingredientes (cogumelos, legumes, etc.). Como me é habitual, fui ver a lista de ingredientes e deparei-me com os E's todos e mais alguns. Voltei a colocar a embalagem na câmara frigorífica e pensei: "Bem, vou à secção da comida confecionada para levar, ao menos é feita no próprio dia e não terá conservantes nem intensificadores de sabor”. Entre as opções que lá encontrei optei pelo arroz de pato. Pedi para duas pessoas: a funcionária embalou, pesou, e colocou o rótulo. Quando recebi e ao analisar o rótulo a primeira informação que li foi: “Contém sulfitos”! E pronto, concluo mesmo que ou optamos por comida certificada enquanto biológica ou não temos mesmo hipótese...
Se quiserem saber mais sobre os sulfitos na alimentação, esta foi a informação que encontrei na minha pesquisa e sim eu sei que os sulfitos são usados, por exemplo, na conservação do vinho mas parece-me que uma coisa é o vinho (que deve ser consumido com moderação e há a opção de nem consumir) e outra são refeições diárias que todos, até as crianças, supostamente poderão consumir:
"A adição de aditivos é uma prática comum utilizada na conservação de alimentos. Os sulfitos, que incluem o dióxido de enxofre (SO2) e seus sais de sódio, potássio e cálcio (Na, K e Ca), são amplamente utilizados devido ao efeito inibitório sobre bactérias, bolores e leveduras e na inibição de reações de escurecimento enzimático e não enzimático durante processamento e estocagem. O uso desses conservantes deve ser monitorado para evitar que o consumo não ultrapasse a Ingestão Diária Aceitável (IDA – 0,7 mg/kg peso corpóreo). Apesar de sua eficácia, inúmeras reações adversas têm sido relatadas à saúde de algumas pessoas sensíveis aos sulfitos, como na forma de ataques asmáticos e urticária, dessa forma torna-se necessário o controle e informação dos agentes sulfitantes adicionados aos alimentos, bem como pesquisas que visem à substituição desse aditivo, por equivalentes que não prejudiquem a saúde humana."
 Se quiserem ler o artigo na íntegra (é um artigo brasileiro publicado no site do nepa - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação), encontram-no aqui.
 Eu já evito estes desvios dos locais onde habitualmente faço as minhas compras porque e cada vez mais me convenço, as opções isentas de químicos são sempre muito escassas ou mesmo nulas.
De resto, o único conselho que eu hoje vos posso dar é que fiquem atentos, fiquem muito atentos aos rótulos dos produtos que consomem.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Interdito na minha cozinha: frango de aviário e outras carnes que tais


Este post não será simpático. Este post não será bonito, nem deixará os leitores com aquele sorriso nos lábios de quando consultam os seus blogs favoritos à procura de algum alento num dia difícil. Mas sendo este um blog que pretende a reflexão e partilha sobre a procura de um estilo de vida saudável, nem sempre encontrarão posts leves, bonitos e divertidos. Haverá posts que serão escritos para fazer pensar, abanar e até incomodar quem os lê no sentido de provocar a mudança.

Cada vez mais, como já tive oportunidade de aqui dizer, procuro consumir menos carne, não só por questões de saúde como por questões ambientais. Por muito que aceitemos que o sacrifício dos animais para a nossa alimentação faça parte da lei natural da vida e da nossa evolução, não consigo ficar indiferente (quem consegue?) aos métodos, no mínimo macabros, implicados em todo o ciclo de produção intensiva a que os animais estão sujeitos desde o nascimento até ao abate e que passa pelo seu confinamento, a alimentação e até controlo de doenças. E não se iludam: carne de animais que são criadas nestas condições não pode ser benéfica para a nossa saúde. Tal como nós, a condição física e saúde de um animal são influenciadas pela forma como vive e consequentemente a sua felicidade. E não, não consigo simplesmente olhar para o lado e pensar “prefiro nem saber…”.




Já há muitos anos que me recuso a comprar frango de aviário: todo o processo de criação até ao abate é simplesmente grotesco e na minha opinião, desumano. O resultado final, depois de uma vida de tortura, é uma carne sem qualquer sabor e com uma série de componentes prejudiciais à saúde. O confinamento intensivo, por exemplo, em pequenas gaiolas de galinhas poedeiras não lhes permite fazer os seus movimentos e comportamentos mais básicos e naturais da sua espécie, provocando stress, tédio e comportamentos desviantes. O mesmo acontece com as porcas reprodutoras confinadas em celas minúsculas. Poderão obter mais informações sobre este tema, por exemplo, aqui ou aqui.
Mas todo este processo não traz só infelicidade e danos aos animais mas também às pessoas que os consomem, em consequência da utilização corrente de antibióticos a título preventivo a todos os animais da exploração, doentes ou sãos (associado, por exemplo, ao rápido desenvolvimento de bactérias resistentes nos humanos), de hormonas e de rações à base de farinhas de cereais geneticamente modificados.
Por tudo isto e muito mais há muito que optei por comprar carne e seus derivados (ovos, leite, queijo, etc.) que sei qual a sua proveniência e modo de produção no qual é respeitado o seu ciclo de vida e a sua dignidade enquanto ser vivo. Sim, é mais cara e por isso o facto de reduzirmos o consumo de carne também fará diferença: não como carne todos os dias (carne vermelha como apenas uma vez por semana, por vezes menos), faço peixe e até refeições sem estas duas opções de origem animal, substituindo por leguminosas. É saudável, torna a culinária mais interessante e é uma atitude sustentável e responsável em temos ambientais.
Procuro sempre comprar carnes de produção extensiva e de raças autóctones (Barrosã, Lafões, Porco Alentejano) e/ou produção biológica (nomeadamente no que diz respeito ao frango) e em locais ou produtores de confiança (quem gosta de números e estatísticas pode consultar o Guia das Explorações de Agricultura Biológica: apresentam a evolução das explorações por região). E o que são para mim locais e produtores de confiança? São locais onde sabem informar-me com clareza de onde vêm esses animais ou pessoas que criam e que me explicam como o fazem com a mesma paixão e conhecimento (até mais) do que eu sobre estas questões. São locais e produtores que sabem o meu nome (e eu o deles), sabem o que eu quero e avisam-me em que dias é que chega o que eu pretendo (ficam com o meu contato e ligam-me) e até me abrem as portas das suas explorações. 

in: https://www.facebook.com/organicamadeira
Outra estratégia que tem funcionado comigo é pensar nos legumes como o principal da refeição e a carne como acompanhamento. Inicialmente parece estranho e até absurdo tal é o hábito de sobrevalorizarmos a carne. Quando li esta sugestão num livro sobre hábitos alimentares saudáveis pareceu-me mesmo estranho, mas a explicação era simples: até há bem pouco tempo a carne era um luxo; as famílias comiam carne em dias especiais do ano, matavam, por exemplo, um porco que daria para todo o ano. Os legumes eram, de facto, o principal da dieta algo que mudou radicalmente com o aumento do poder de compra e com a massificação do consumo da carne. No entanto, se voltarmos a pensar nos legumes como o principal de uma refeição vamos reduzir, de certeza, o consumo de carne. E comigo tem mesmo funcionado: consumo muito mais legumes do que outrora e em muitas refeições o resto de um bife triturado que ficou de outra refeição é a única fonte de carne num prato de massa ou de arroz em que o principal são os legumes. Existem muitas formas interessantes de confecioná-los que vão muito além da sua cozedura em água ou a vapor.