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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Ervilhas estufadas com ovos escalfados



Nos cestos do mercado já começam a aparecer, ao lado das favas, as ervilhas, outra leguminosa da primavera que faço questão de comprar frescas. Cá em casa todos adoram ervilhas estufadas com ovos escalfados. É daqueles pratos que ninguém, principalmente as miúdas, resiste em repetir. No entanto, a minha versão deste prato bem português é vegetariana. Cada vez mais evito carnes processadas como o presunto, bacon, etc., que contêm conservantes e por outro lado, a maioria dos enchidos contém farinha de trigo, por isso substituo estes ingredientes por cogumelos shiitake. 
Mas antes de as cozinhar têm de ser descascadas: manta no jardim, perninhas à chinês e é ver as "três Marias" a descascarem as ervilhas. A mais velha, porém, a dada altura teve uma ideia: "já sei: porquê que não brincamos à cigarra e à formiga? Vocês são as formigas e eu sou a cigarra que passa o verão a cantar". E assim foi... espertinha a menina, não?



Como sementes que são as ervilhas armazenam nutrientes importantes para a produção e crescimento celular. São por isso ricas em proteínas, vitaminas do complexo B (B1, B2 e B3) importantes para o sistema nervoso central, sistema circulatório e periférico, pele, cabelo e mucosas. Também possuem vitamina A importante, por exemplo, para a visão e sistema imunitário. São uma boa fonte de ácido fólico, vitamina B6 e vitamina K importante na boa mineralização dos ossos e em conjunto, determinantes na prevenção da osteoporose.
O ideal é comprá-las nos mercados (de preferência biológicos ou pequenos produtores), nesta altura e em grandes quantidades, para o não consumirem congelarem para terem ao longo do ano. Se não comprarem frescas prefiram sempre as congeladas às enlatadas.

Ervilhas estufadas com ovos escalfados

Ingredientes
6 ovos biológicos (o mais frescos possíveis);
1 cebola grande;
1 dente de alho;
150 g polpa de tomate (na época dos tomates uso tomate fresco);
50 g azeite;
200 g de cogumelos shiitake (ou outro tipo de cogumelos biológicos frescos);
500 g de ervilhas frescas (podem fazer mais mas para a minha família com duas crianças pequenas esta quantidade é suficiente);
75 ml vinho branco;
100 ml água (podem usar caldo de legumes ou de carne caseiro, se preferirem);
Sal q.b.;
pimenta q.b.;
1 colher de chá de garam massala
1 colher de chá de curcuma
Coentros ou salsa q.b;

Como fiz (na bimby)
Coloquei no copo a cebola, o alho, o tomate, o azeite e piquei 5 seg. vel 5. Refoguei por 3 min, temperatura varoma, vel 1. Triturei por 15 seg. na vel. 6 para o molho ficar homogéneo. Adicionei depois os cogumelos e programei 3 min, temp. varoma, vel. colher inversa. Adicionei as ervilhas, o vinho branco, o sal, as especiarias, a água e programei 20 minutos, temperatura varoma, vel. colher inversa. Depois de cozidas adicionei salsa picada e misturei.

Para os ovos escalfados (não faço na bimby) 
Este procedimento deve ser feito quando as ervilhas já estão cozidas: numa panela larga coloquei 1litro de água, quando esta começou a ferver diminui a intensidade e parti um ovo para uma taça, com cuidado para manter-se inteiro. Encostei a taça na água para que o ovo deslizasse até à água a ferver. Repeti o procedimento para os restantes ovos (fiz 4 ovos de uma vez e depois os dois restantes) e deixei cozer por 2 a 3 minutos ou até ver que já tinham o aspeto desejado (a cozedura varia um pouco com o tamanho do ovo). Dispus os ovos escalfados por cima das ervilhas e servi de imediato com arroz integral cozido (pode ser acompanhado apenas com pão).

Para quem não tem bimby:
Numa panela larga levem a lume médio o azeite, a cebola e o alho picados e deixem refogar até a cebola começar a ficar translúcida. Adicionem a polpa de tomate e deixem refogar por mais um pouco. Se pretenderem um molho homogéneo, podem triturar com a varinha mágica. Adicionem o vinho branco e deixem evaporar um pouco para então adicionarem as ervilhas e cobri-las com água ou o caldo caseiro, o sal e a pimenta. Tapem a panela e deixem apurar por 20 minutos em lume médio, ou até as ervilhas estarem tenras. 
Abram cada ovo com cuidado para uma taça e deixem-no deslizar para o molho com as ervilhas a ferver em lume brando (se for necessário acrescentem um pouco de água). Repitam este procedimento para os restantes ovos e deixem-nos cozer por 2 a 3 minutos, com a panela tapada. Sirvam de imediato.

Nota: se utilizarem ervilhas congeladas deverão diminuir o tempo de cozedura das ervilhas para 15 minutos.

 
 Podem imaginar o que aconteceu depois da gema escorrer lentamente para as ervilhas...


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Fomos todos à fava!


Ultimamente temos todos ido à fava. Pelo menos no mercado biológico. Chegaram em força e eu tenho aproveitado e trazido sacadas de favas para casa. Sim, porque quando se compra com a vagem o melhor é  encher bem o saco porque dali, normalmente, rende muito pouco...

Mas eu não me importo: é sempre uma oportunidade para as miúdas perceberem de onde vêm os alimentos. Normalmente fazem questão de me ajudar a descascá-las e acham engraçado descobrir as favas dentro das vagens. Claro que depois tenho de conferi-las uma a uma, porque ficam muitas favas esquecidas mas tento aproveitar enquanto acham engraçado porque mais tarde, quando crescerem, irão com certeza achar uma grande seca e mania da mãe ...

 

As favas são leguminosas que eu aprendi a gostar e a usá-las nas nossas refeições. Não era das que eu mais gostava em criança mas agora não me importo nada em comê-las. Frescas e na sua própria época, claro. Nesta altura que ainda são as primeiras e muito tenras nem tiro a película que as envolve, só mais tarde quando já são maiores tenho esse trabalho porque é dura e áspera.




Tal como outras leguminosas são ricas em proteínas, hidratos de carbono complexos, fibras solúveis e insolúveis, aminoácidos e vitaminas do complexo B. Por ser um alimento rico em fibras melhora o funcionamento do tubo digestivo, torna a bílis mais fluida, facilita a absorção dos nutrientes ao nível do intestino delgado, estimula o desenvolvimento da flora intestinal benéfica e regulariza o trânsito intestinal. São também uma boa fonte de ácido fólico (importante para as grávidas no desenvolvimento do bebé), luteína, zinco, potássio, magnésio, manganês, fósforo e tiamina ou vitamina B1, importante para o bom funcionamento do sistema nervoso e do coração.

Desta vez decidi, então, que seriam as leguminosas utilizadas numa das nossas refeições vegetarianas. Planeava fazer um estufado de favas (um pouco à portuguesa mas sem os enchidos e a carne) com polpa de tomate, no entanto, ao abrir o frigorífico vi que ainda não tinha gasto o que restara do creme de coco que usara para fazer o chantilly e pensei fazer qualquer coisa com isso. O resultado acabou por ser este:

Estufado de favas com beringela e coco

 Ingredientes (para 4 pessoas)
1kg de favas descascadas
200 ml de creme de coco
1/2 copo de vinho branco
1 copo de água
1 beringela
1 cebola pequena
1 alho-francês
1 dente de alho
1 colher de chá de cominhos
1/2 colher de chá de curcuma
1/2 colher de chá de garam masala
1/2 colher de chá de gengibre em pó
azeite q.b
sal q.b.
salsa fresca

Como fiz:
Piquei a cebola, o alho e o alho-francês e fiz um refogado até a cebola ficar translúcida. Adicionei as especiarias (podem usar outras se preferirem) e deixei-as refogar um pouco juntamente com os legumes. Deitei o vinho branco, deixei evaporar um pouco, adicionei as favas, o creme de coco e a água. Temperei de sal, tapei e deixei as favas cozerem aproximadamente 20 a 30 minutos.
Entretanto cortei a beringela às rodelas e coloquei-as no grelhador (sempre que uso beringela faço este procedimento, ficam muito mais saborosas e intensas). Quando já estavam grelhadas (finas e com a marca do grelhador), retirei-as, cortei-as às tiras e deitei-as no estufado pouco antes de retirá-lo do fogão.


Depois de desligar deitei salsa fresca picada, misturei tudo muito bem e tapei deixando descansar um pouco até servir. Acompanhei com arroz integral cozido.
Nós, pais, gostámos do prato mas devo confessar que estas não são as leguminosas preferidas das miúdas. Mas comeram... que remédio! O paladar também se educa e eu acho fundamental que aprendam a comer de tudo (ou quase tudo). É importante perceberem que nem sempre a vida corre como nós queremos e nem sempre terão disponíveis os pratos que mais gostam.