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terça-feira, 22 de abril de 2014

Sobremesa de Páscoa: bolo de cacau e laranja



Como referi no post anterior, hoje trago-vos a sobremesa do almoço de Páscoa deste ano. Optei por duas receitas sem glúten, sem açúcar e sem produtos lácteos: bolo de cacau e laranja acompanhado por chantilly de coco. As receitas não são minhas mas sim de um blog que eu descobri recentemente e com o qual identifiquei-me de imediato: Petite Kitchen. A autora do blog, Eleanor Ozich, também tem uma filha com alergia ao glúten e também ela teve de adaptar a alimentação da sua família a esta realidade. Por outro lado, tal como eu, tem a preocupação de procurar ingredientes de qualidade e saudáveis. Ao longo destes anos de pesquisa e procura de alternativas sem glúten apercebi-me que muitas das receitas em livros, internet, etc., tentam antes de mais aproximar o resultado final às receitas com farinha de trigo (sabor, textura, consistência, etc.), recorrendo a mistura de farinhas brancas, altamente refinadas e processadas, não sendo por isso na maioria das vezes, opções saudáveis. A princípio também eu fiquei deslumbrada com estas farinhas que, com alguma facilidade, obtinha resultados muito semelhantes às receitas tradicionais com glúten. Com o tempo fui-me informando e apercebendo que esta não era a opção mais saudável, que o caminho tinha de ser outro e que o critério da minha escolha não podia ser apenas "isento de glúten". No blog que vos falo também encontro essa preocupação nas receitas que a Eleonor partilha e por isso tenho-o seguido atentamente. Atrevi-me até a escrever-lhe um e-mail e contar-lhe o quanto eu achava a nossa história semelhante: para meu espanto ela não só respondeu-me de forma atenciosa e simpática como também pediu o link do meu blog que eu esquecera de referir no meu próprio e-mail (nada de estranho em mim). Espero que gostem do blog tanto como eu.
Para já, deixo-vos as receitas e as fotos das minhas próprias tentativas neste passado domingo de Páscoa: 

Bolo de chocolate com laranja (receita original aqui)

Ingredientes
 2 laranjas (é importante que sejam biológicas porque a casca também é utilizada e é na casca que se encontra a maior concentração de resíduos de fertilizantes e pesticidas nos produtos de agricultura convencional);
1 chávena de amêndoas;
1 chávena de nozes e avelãs (a receita original refere 2 chávenas de amêndoas, mas como não tinha suficientes na segunda chávena usei nozes e avelãs);
4 colheres de sopa bem cheias de cacau de qualidade;
5 colheres de sopa bem cheias de mel de qualidade;
5 ovos biológicos;
Sementes de 1 vagem de baunilha (a receita original indica uma colher de chá de aroma de baunilha);
1/2 colher de canela em pó (não incluído na receita original);
1/2 colher de gengibre em pó (não incluído na receita original);
1 colher de chá de bicarbonato de sódio;


Como eu fiz
Numa panela grande com muita água coloquei as duas laranjas inteiras e deixei-as cozer durante 1 hora, depois de levantar fervura. Escorri e deixei arrefecer as laranjas.
Coloquei as laranjas cortadas em metades na Bimby (podem fazer na vossa picadora ou misturadora normal) e moí bem as laranjas até ficar num creme macio.
Entretanto liguei o forno a 160º C. Adicionei os restantes ingredientes (a receita original não inclui as especiarias, mas quando moí as laranjas o aroma foi tão frutado e aromatizado que eu não resisti em combinar canela e gengibre) e voltei a pulverizar tudo muito bem, até ficar num creme bem cremoso. E já está! É só isto a preparação do bolo. Consegue-se fazer só com um utensílio, sem balanças, sem taças para bater os ovos à parte...
Depois coloquei a massa numa forma previamente untada com óleo de girassol (biológico e prensado a frio) e polvilhada com farinha sem glúten (eu usei de quinoa). Embora a receita original não refira eu aconselho a colocar papel de vegetal porque o desenformar não foi particularmente fácil e o bolo partiu-se (tive que recorrer a uma estratégia decorativa para disfarçar este percalço, por isso para a próxima uso o papel vegetal). A Eleanor adverte, no entanto, que devemos deixer o bolo arrefecer completamente para então desenformá-lo e eu talvez tenha desenformado com o bolo ainda morno... Levei ao forno por 50 minutos e fui testando com o palito até sair seco. Depois de desenformar polvilhei por cima com cacau biológico cru e raspas de coco.
 

 


Chantilly de coco (receita original aqui)

Ingredientes
2 pacotes de 200 ml de creme de coco biológico;
1 colher de sopa de mel de qualidade;
sementes de 1 vagem de baunilha (a receita original refere aroma de baunilha, mas eu prefiro usar a própria vagem).

Como eu fiz
Coloquei os pacotes de creme de coco no frigorífico (têm de ficar pelo menos um dia, mas o ideal é que fiquem mais para a parte sólida do coco separar-se bem do líquido). No dia da preparação retirei os pacotes do frigorífico com cuidado para não misturar novamente os componentes e deitei apenas a parte sólida na batedeira (infelizmente apenas um pacote estava bem separado, o outro, que tinha ficado menos tempo no frigorífico, estava mais misturado, ainda assim tentei usar a parte mais sólida da mistura). Adicionei o mel e as sementes de baunilha. Bati tudo com a batedeira até ficar com a consistência pretendida (pelo menos 2 minutos). Coloquei no frigorífico tapado até à hora de servir.



Cá em casa comeram e repetiram. No momento em que escrevo o post já só existe uma última fatia que será disputada ferozmente entre mim e o meu marido (pronto, metade para cada um). Como disse a minha mais nova enquanto comia o bolo: huuuuuuuum!  Depois, foi este o sorriso com que ficou...


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Páscoa

Desde que me tornei responsável por alimentar a prole cá da casa deixei de ter tempo para me sentar a ver os clássicos como o Ben-Hur ou o Quo Vadis que normalmente passam na televisão nesta quadra festiva. Esta Páscoa não foi exceção: casa cheia no domingo, crianças a correr de um lado para o outro e mesa farta. Tudo isto exige tempo, planeamento e claro, trabalho. Mas quando temos à mesa a família reunida e a certeza que estamos a gerar recordações e boas referências para as nossas crianças, sentimos que vale mesmo a pena.
Este ano optei por assar borrego que como disse no post anterior foi encomendado a um pequeno produtor de agricultura biológica perto de Tondela. É costume dizer que o borrego e o cabrito devem ser temperados com as aromáticas que coexistem no pasto. Eu acho esta ideia interessante e com algum sentido. Independentemente de ter fundamento ou não sempre que cozinho este tipo de carne abuso sempre das ervas aromáticas, em detrimento das especiarias. E, claro, bem regado com azeite biológico de qualidade. Assim, de véspera temperei o borrego (aprox. 1,500 kg) com: 
  • 2 cebolas cortadas às rodelas
  • 4 dentes de alho pisados;
  • um molho de salsa;
  • um molho de coentros;
  • um molho de alecrim;
  • orégãos e tomilho;
  • rama de cenoura (não muita);
  • 1 molho de hortelã-pimenta;
 A salsa e os coentros, de um verde bem escuro como se quer, foram comprados no próprio dia no mercado biológico.


O alecrim, a hortelã, os orégãos e o tomilho fui buscá-los diretamente à minha horta. Ao contrário dos dois primeiros, os orégãos e o tomilho não crescem muito, mas aquilo que consegui apanhar foi utilizado na marinada...




  • 2 copos de vinho;
  • 2 alhos-franceses cortados aos pedaços (incluindo a rama); 
  • sumo de 2 laranjas (coloquei algumas rodelas cortadas na marinada);
  • 2 colheres de sopa de mel;
  • 2 colheres de chá de cominhos;
  • 2 colheres de chá de caril;
  • azeite biológico (muito, não vos sei quantificar ao certo, foi mesmo a olho)
  • cenouras
  • batatas
  • sal q.b
Quando usarem alho-francês não desperdicem a rama: é igualmente comestível e dá muito sabor. Se tiver em bom estado, como era o caso, cortem aos pedaços e aproveitem-na. Fica a dica!
  


 No dia seguinte, coloquei no tabuleiro do forno juntamente com o borrego e a marinada anterior, cenouras (iguais a estas que são ótimas para assar) e batatas cortadas aos cubos. Temperei com sal e levei a cozer por 1 hora no forno a 180ºC. O produtor avisou-me que o borrego era muito tenro e não precisaria de muito tempo no forno. Não me enganou: uma hora foi suficiente para assar bem o borrego até ao osso, mesmo as peças mais grossas. A meio da cozedura tive o cuidado de virá-lo e revolver os legumes para assarem de forma uniforme. O resultado final foi este:




Ao contrário do Natal, na Páscoa não sou de grandes enfeites pela casa, mas faço sempre questão que a mesa tenha flores que o meu jardim me concede nesta altura. Até porque a Páscoa não deixa de ser, também, a celebração da chegada da primavera. Quanto à sobremesa conto-vos tudo amanhã…